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terça-feira, 14 de novembro de 2017

Jó 5


Jó 5

1 Chama agora; há alguém que te responda? E para qual dos santos te virarás?
2 Porque a ira destrói o louco; e o zelo mata o tolo.
3 Bem vi eu o louco lançar raízes; porém logo amaldiçoei a sua habitação.
4 Seus filhos estão longe da salvação; e são despedaçados às portas, e não há quem os livre.
5 A sua messe, o faminto a devora, e até dentre os espinhos a tira; e o salteador traga a sua fazenda.
6 Porque do pó não procede a aflição, nem da terra brota o trabalho.
7 Mas o homem nasce para a tribulação, como as faíscas se levantam para voar.
8 Porém eu buscaria a Deus; e a ele entregaria a minha causa.
9 Ele faz coisas grandes e inescrutáveis, e maravilhas sem número.
10 Ele dá a chuva sobre a terra, e envia águas sobre os campos.
11 Para pôr aos abatidos num lugar alto; e para que os enlutados se exaltem na salvação.
12 Ele aniquila as imaginações dos astutos, para que as suas mãos não possam levar coisa alguma a efeito.
13 Ele apanha os sábios na sua própria astúcia; e o conselho dos perversos se precipita.
14 Eles de dia encontram as trevas; e ao meio-dia andam às apalpadelas como de noite.
15 Porém ao necessitado livra da espada, e da boca deles, e da mão do forte.
16 Assim há esperança para o pobre; e a iniqüidade tapa a sua boca.
17 Eis que bem-aventurado é o homem a quem Deus repreende; não desprezes, pois, a correção do Todo-Poderoso.
18 Porque ele faz a chaga, e ele mesmo a liga; ele fere, e as suas mãos curam.
19 Em seis angústias te livrará; e na sétima o mal não te tocará.
20 Na fome te livrará da morte; e na guerra, da violência da espada.
21 Do açoite da língua estarás encoberto; e não temerás a assolação, quando vier.
22 Da assolação e da fome te rirás, e os animais da terra não temerás.
23 Porque até com as pedras do campo terás o teu acordo, e as feras do campo serão pacíficas contigo.
24 E saberás que a tua tenda está em paz; e visitarás a tua habitação, e não pecarás.
25 Também saberás que se multiplicará a tua descendência e a tua posteridade como a erva da terra,
26 Na velhice irás à sepultura, como se recolhe o feixe de trigo a seu tempo.
27 Eis que isto já o havemos inquirido, e assim é; ouve-o, e medita nisso para teu bem.

sábado, 29 de setembro de 2012

Um Cavaleiro na Tempestade



- Quem é quem chega a estas horas
que insiste a demora
na porta a bater?
bandidos vagam às escuras
da noite à procura
de quem mal fazer

- abrí-me a porta ó senhora
um instante é a demora
só enquanto sossega
o corcel que transporta-me
através de tempos espaços e eras
sem poder negar a animal condição
medo ao fulgir do raio
e o rugir feroz do trovão
não temais pela donzela
da alcova as janelas travadas estão
o perigo é a descrença
e o inimigo avança
num mundo em falência
abrí-me senhora
porta ou consciência
não ouves cá fora
o rugir do trovão?

- buscam na noite os morcegos
sem trégua e sossego
o sangue a volar
em forma de anjo os demônios
com ardis mais medonhos
nos tentam enganar

- saí de vossos cuidados
por armas não porto
nem punhais nem dardos letais
só a espada de luz
a palavra do Sagrado Mestre
que vos acalenta
em vossas aflições
que bane a insegurança
respondo a paz nos corações

- mesmo em face à tempestade
é uma temeridade
vos a porta abrir
vejo a tormenta já é finda
no vadis ainda mais eu quero ouvir

- eis que é cessada a procela
vou indo embora
ao lume da estrela
meu nome? Se importa
assenteis nos livros
de anais desta Casa
quem em noite varrida
pela tempestade
negastes guarida
aos guardiões da vida
a Fé e a Esperança
e a própria Caridade...


Composição de Elomar Figueira Mello

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

De(u)spertar



Quanto mais incompreensível,
mais verdadeiro.

Quando mais inconcebível,
mais real.

Quanto mais inexplicável,
mais evidente.


Autor: Karina Andréa Tarca

domingo, 22 de julho de 2012

Sob o silêncio dos céus...



Porque choras de que existe
A terra e o que a terra tem?
Tudo nosso – mal ou bem –
É fictício e só persiste
Porque a alma aqui é ninguém.

Não chores! Tudo é o nada
Onde os astros luzes são.
Tudo é lei e confusão.
Toma este mundo por strada

E vai como os santos vão.

Levantado de onde lavra
O inferno em que somos réus
Sob o silêncio dos céus,
Encontrarás a Palavra,
O Nome interno de Deus.

E, além da dupla unidade
Do que em dois sexos mistura
A ventura e a desventura,
O sonho e a realidade,
Serás quem já não procura.

Porque, limpo do Universo,
Em Christo nosso Senhor,
Por sua verdade e amor,
Reunirás o disperso
E a Cruz abrirá em Flor. 



Fernando Pessoa

terça-feira, 5 de junho de 2012

Nada te perturbe...



Nada te perturbe, 
Nada te espante, 
Tudo passa, 
Deus não muda. 
A paciência, 
Tudo consegue. 
Quem a Deus tem, 
Nada lhe falta, 
Só Deus é suficiente.

Eleva o Pensamento ao céu sobe
Por nada te angustie Nada te perturbe
A Jesus Cristo segue de coração entregue
E venha o que vier Nada te Espante

Vês a gloria do mundo?  E gloria vã
Nada tem de estável Tudo passa
Aspira as coisas celestes que sempre duram
Fiel e rico em promessas Deus não muda

Ama-O Como merece Bondade imensa
Mas não há verdadeiro amor sem a paciência
Confiança e fé viva mantenha a alma,
Que quem crê e espera Tudo alcança

Do Inferno acossado Muito embora se veja
Burlara os seus furores Quem a Deus Tem
Advenham-lhe desamparos, Cruzes, desgraças
Sendo Deus o seu tesouro Nada lhe falta

Ide pois bens do mundo Ide, ditas vãs
Ainda que tudo perca, Só Deus Basta.


Santa Teresa de Ávila

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Sob o silêncio dos céus...



Porque choras de que existe
A terra e o que a terra tem?
Tudo nosso – mal ou bem –
É fictício e só persiste
Porque a alma aqui é ninguém.

Não chores! Tudo é o nada
Onde os astros luzes são.
Tudo é lei e confusão.
Toma este mundo por strada

E vai como os santos vão.

Levantado de onde lavra
O inferno em que somos réus
Sob o silêncio dos céus,
Encontrarás a Palavra,
O Nome interno de Deus.

E, além da dupla unidade
Do que em dois sexos mistura
A ventura e a desventura,
O sonho e a realidade,
Serás quem já não procura.

Porque, limpo do Universo,
Em Christo nosso Senhor,
Por sua verdade e amor,
Reunirás o disperso
E a Cruz abrirá em Flor. 


Fernando Pessoa

domingo, 1 de abril de 2012

Poema de Páscoa: O ENCOBERTO


Que símbolo fecundo
Vem na aurora ansiosa?
Na Cruz Morta do Mundo
A Vida, que é a Rosa.

Que símbolo divino
Traz o dia já visto?
Na Cruz, que é o Destino,
A Rosa que é o Cristo.

Que símbolo final
Mostra o sol já desperto?
Na Cruz morta e fatal
A Rosa do Encoberto
.
 
Autor: Fernando Pessoa
Brasão, Mensagem


.....

FELIZ PÁSCOA A TODOS! 

terça-feira, 27 de março de 2012

Os "lugares" de Deus



As pessoas vão aos templos para me saudar-Me;
Quão simples e ignorantes são meus filhos e filhas quando pensam que vivo isolado.

Por que não vêm e Me saúdam na procissão da vida, onde sempre vivo?
Nas fazendas, nas fábricas, no mercado?
Lá onde encho de ânimo aqueles e aquelas que ganham seu pão com o suor do resto?

Por que não Me saúdam no barraco dos pobres?
E Me encontram a abençoar os pobres e necessitados secando lágrimas de viúvas, crianças e órfãos?

Por que não vêm e Me saúdam ao lado da estrada, e me encontram a abençoar o mendigo que pede por pão?

Por que não vêm e Me saúdam entre as pessoas que são pisoteadas pelos orgulhosos no roubo e no poder?
Por que não Me vêem contemplando seu sofrimento e distribuindo compaixão?

Por que não Me vêm e Me saúdam entre as mulheres violentadas e abandonadas, lá onde Me sento junto delas para abençoar e dignificar?

Estou seguro que jamais sentirão falta de Mim, se tentarem Me encontrar no suor e na luta da vida diaria...



 Autor: Kushdeva singh (1974)

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Noite Escura


Poema  místico de S. João da Cruz (1578):

Em uma noite escura,
De amor em vivas ânsias inflamada,     
Oh, ditosa ventura!
Saí sem ser notada, 
Já minha casa estando sossegada. 

Na escuridão, segura,
Pela secreta escada, disfarçada,  
Oh, ditosa ventura!
Na escuridão, velada,
Já minha casa estando sossegada.

Em noite tão ditosa,
E num segredo em que ninguém me via,
Nem eu olhava coisa,
Sem outra luz nem guia
Além da que no coração me ardia.

Essa luz me guiava,
Com mais clareza que a do meio-dia,
Aonde me esperava
Quem eu bem conhecia, 
Em sítio onde ninguém aparecia. 

Oh, noite que me guiaste!
Oh, noite mais amável que a alvorada!
Oh, noite que juntaste
Amado com amada,
Amada já no Amado transformada! 

Em meu peito florido
Que, inteiro para ele só guardava,
Quedou-se adormecido,
E eu, terna, o regalava,
E dos cedros o leque o refrescava.

Da ameia a brisa amena, 
Quando eu os seus cabelos afagava,
Com sua mão serena
Em meu colo soprava,
E meus sentidos todos transportava.

Esquecida, quedei-me,
O rosto reclinado sobre o Amado; 
Tudo cessou. Deixei-me,
Largando meu cuidado
Por entre as açucenas olvidado.

Canções de S. João da Cruz (1542-1591) 
que descrevem o modo pelo qual o místico chega ao estado de perfeição espiritual.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Vai Maria


Maria, descende ao caos
Enfrenta o mundo
Enfrenta o mal

Maria, levanta e vai
Levanta o homem
Levanta o filho que cai
Lendo o segredo no ventre
e na alma de quem é capaz...

Levando vida, levando morte
Levanta o fogo que sobe



Autor: Douglas Remonatto e Paulo Ricardo José

sábado, 6 de agosto de 2011

Rito da Cruz


Jubiloso venho a ti oh cruz. 
Doadora de vida, 
cruz que eu sei ser minha 
eu conheço teu mistério, 
a tua cabeça ergue-se para o céu 
para que se pudesse ser o símbolo frontal do logos celestial

Tuas partes médias estão estendidas para a direita e para a esquerda 
o teu pé está acentado na terra mergulhado na profundeza 
para que possas puxar para cima aqueles ques estão abaixo 
mantido nas regiões inferiores, 

Oh cruz, 
tú arvore que dás vida 
de raizes plantadas na terra 

Oh cruz, 
tu que sustenta o mestre



Trecho do Evangelho apócrifo: Atos de André

sexta-feira, 20 de maio de 2011

VIVO SEM VIVER EM MIM



Vivo sem viver em mim,
E tão alta vida espero,
Que morro porque não morro.

Vivo já fora de mim,
Desde que morro d’Amor
Porque vivo no Senhor
Que me escolheu para Si;
Quando o coração Lhe dei

Com terno amor lhe gravei:
Que morro porque não morro.


domingo, 10 de abril de 2011

Trevas Luminosas






"Chegar a estas trevas  mais do que luminosas é o que suplicamos
e, pela privação da visão e pelo não-conhecimento,
ver e conhecer Aquele que está acima da contemplação e do conhecimento
precisamente pelo acto de não ver nem conhecer
nisto consiste, de fato, a verdadeira observação e conhecimento"

Pseudo-Dionísio, o Areopagita
Via para Alcançar a Treva -Teologia Mística [1025b]

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Modo para chegar ao Tudo...


Modo para chegar ao Tudo
Para chegares ao que não sabes,
Hás de ir por onde não sabes.
Para chegares ao que não gozas,
Hás de ir por onde não gozas.
Para vires ao que não possuis,
Hás de ir por onde não possuis.
Para vires a ser o que não és,
Hás de ir por onde não és.

Modo de possuir tudo
Para vires a saber tudo,
Não queiras saber coisa alguma.
Para vires a gozar tudo,
Não queiras gozar coisa alguma.
Para vires a possuir tudo,
Não queiras possuir coisa alguma.
Para vires a ser tudo,
Não queiras ser coisa alguma.

Modo para não impedir o tudo
Quando reparas em alguma coisa,
Deixas de arrojar-te ao tudo.
Porque para vires de todo ao tudo,
Hás de deixar de todo ao tudo.
E quando vieres a tudo ter,
Hás de tê-lo sem nada querer.
Porque se queres ter algo em tudo,
Não tens puro em Deus teu tesouro.

Indício de que se tem tudo
Nesta desnudez acha o espírito
sua quietação e descanso,
porque, nada cobiçando, nada
o impele para cima e nada
o oprime para baixo, porque
está no centro de sua humildade;
pois quando cobiça alguma coisa
nisto mesmo se fatiga.

Autor: São João da Cruz -Subida ao Monte Carmelo