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quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Infernum


Quando eu me encontrava na metade do caminho da vida, 
me vi perdido em uma selva escura, 
e a minha vida não mais seguia o caminho certo. 

Ah, como é difícil descrevê-la! 
Aquela selva era tão selvagem, cruel, amarga, 
que a sua simples lembrança me traz de volta o medo. 
Creio que nem mesmo a morte poderia ser tão terrível. 
Mas, para que eu possa falar do bem que dali resultou, 
terei antes que falar de outras coisas, que do bem, passam longe.

Eu não sei como fui parar naquele lugar sombrio. 
Sonolento como eu estava, 
devo ter dormido e por isso me afastei do verdadeiro caminho. 


Autor: Dante Alighieri  
Divina Commedia, I Canto


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Oração a divina Mãe - Dante Alighieri


Virgem Mãe, filha de teu Filho,
humilde e alta mais que qualquer criatura,
termo prefixado de eterno desígnio,

Tu és aquela que a natureza humana
enobreceste de tal forma, que seu Criador
não desdenhou fazer-se sua criatura.

Em teu ventre reacendeu-se o amor,
por cujo calor na eterna paz
assim germinou esta flor.

Aqui és para nós luz meridiana
de caridade; e embaixo, entre os mortais,
és fonte vivaz de esperança.

Mulher, és tão grande e tanto vales,
que quem deseja graças, e a ti não recorre,
é como alguém que desejasse voar sem asas.

A tua benignidade não apenas socorre
quem pede, mas muitas vezes livremente
e antecipa ao pedido.

Em ti, misericórdia, em ti, piedade,
em ti, magnificência, em ti se coaduna todo o bem
que existe nas criaturas.


Dante Alighieri
(A Divina Comédia - Paraíso, Canto Final)