sexta-feira, 12 de abril de 2013

One Of Us



Tradução:

Ah, em uma dessas noites, lá pela meia noite
Esta terra inteira vai cair no rock
Os santos vão tremer e chorar de dor
Para que o Senhor venha em seu avião celestial.

Se Deus tivesse um nome, qual seria?
E você seria capaz de ligar nome à Pessoa,
se você desse de cara com Ele e toda a Sua glória?
O que você perguntaria, se você pudesse fazer apenas uma pergunta?

Sim, sim, sim, Deus é maravilhoso
Sim, sim, sim, Deus é bom
Sim, sim, sim, sim

E se Deus fosse um de nós?
Apenas um desajeitado como um de nós
Apenas um estranho no ônibus
Tentando fazer Seu caminho de casa

Se Deus tivesse um rosto, com o que seria parecido?
E você gostaria de vê-Lo
Se ver significasse que você tivesse que crer
Em coisas como o Céu e Jesus e os santos
E todos os profetas?

Sim, sim, sim, Deus é maravilhoso
Sim, sim, sim, Deus é bom
Sim, sim, sim, sim

E se Deus fosse um de nós?
Apenas um desajeitado como um de nós
Apenas um estranho no ônibus
Tentando do Seu jeito voltar para casa
Apenas tentando do Seu jeito voltar para casa
Voltar para o céu sozinho
Ninguém chamando-o ao telefone
Exceto pelo Papa, talvez, em Roma.

Sim, sim, Deus é maravilhoso
Sim, sim, Deus é bom
Sim, sim, sim, sim, sim

E se Deus fosse um de nós?
Apenas um desajeitado como um de nós
Apenas um estranho no ônibus
Tentando do Seu jeito voltar para casa
Como um Holly Rolling Stone
Voltar para o céu sozinho
Apenas tentando do Seu jeito voltar para casa
Ninguém chamando-o ao telefone
Exceto pelo Papa, talvez, em Roma.


Joan Osborne

quarta-feira, 27 de março de 2013

Eus


Desde que eu nasci tô no conflito
Aflito pra saber porque
Com tanta gente que eu podia ser
Eu nasci eu
Perdido entre sentimentos bons
Pequenos delitos e contradições
Entre a luz e o breu

Molho o pão no café e levo fé
Que Deus é preto e fuma cachimbo
Nasce menino, cresce mulher
Vira fumaça, não tem destino
Brinca de roda, roda nos ventos
Dança na chuva, pois é um índio
E cai no frevo, dança bale 
No que imagino
Em tudo o que há, Ele é

Mas eu não sou um só 
Não sou só um
Eu também sou milhões de eus 
Não sou Deus mas sou Eus

Pois sou eu quem acredita em mim
Sou eu quem me explico
Quando me complico
Eu mesmo atendo as minhas preces
Eu mesmo quem ouço
Os meus próprios gritos

Oh, brother!
Buscando a minha própria conclusão
Oh, brother!
Foi Eus quem quis assim
Oh, brother!
Eus é Deus dentro de mim... Graças a Deus


Composição de Mauricio Baia & Rockboys

sexta-feira, 8 de março de 2013

Duração


Nos passos em meio a noite.
No silêncio oculto de meu coração.
Sinto-te.

Me acompanhas,
Por tão pouco, ainda me acompanhas.
O que teria esta tão passageira forma que me compõe a te oferecer?

Não sou digno, pois minha morada não é digna de ti.
Tenho lhe dado apenas o amargo sabor da traição por tantos séculos...
A memória já não alcança mais os primeiros erros.



Não te enganes,
Sua manifestação é imprópria, disso tem sábia razão.
Sua morada é imprópria, a falta de luz no altar prova minha ausência.
As paredes são simples, carecem de inefável beleza
E faltam pedras no altar de ofício.

Hoje há, no altar onde oficiarei, nos sublimes dias que aguardo,
Uma única vela.
Solitária, porém fogo se espalha, domina, ilumina.
A menor das fagulhas pode se converter em nova fogueira.

No dia que a luz do fogo acima das pedras do altar retornar,
minha manifestação será vista no vento.
No vento parido da força e calor do fogo.
Ecoará pela duração de seus passos.
E permanecerá.

Autoria: Elton Almeida

quarta-feira, 6 de março de 2013

Ao seu Tempo




Escutarás teu nome entre gritos e gemidos, de uma forma antes não escutada, e gelarão vossos ossos. Materiais? Mortais? Sentirás o amor alheio, feito sangue vivo, se esvaindo face à morte.  Escreverão com sangue a vossa sentença, julgando lhe indiferente frente à vida, condenado estarás e todos os anjos de Deus descerão do céu vestidos de demônios, se ajoelharás e não acharás perdão dentro de si, terás vergonha no orar e no pedir. Terás vergonha do sexo bendito, mas não conseguirás esconder sua mentira, a qual, disfarçada, estará por traz da couraça do tempo. Mas serás a forma viva de todo o erro que se inicia com o mais simples dos pronomes. Sentirás o desespero ao olhar no olho do leão, que avança, e fugirás em vossa fuga inútil. Sentirás a morte, antes mesmo que ela toque vossa carne, e que, com vossos dentes afiados lhe cobrem o empréstimo. Morrerás antes mesmo da própria morte, como a ilha sagrada velada entre as brumas, desespero dos infiéis navegantes. Entrarás em Deus, morte eterna, e não saberás mais quem é Deus, verás tua lógica, vossos silogismos e vossas contradições se perderem. E duvidarás de tudo e não mais vai querer estar ali, sentirás sim! A agonia e não estarás triste, mas serás a própria tristeza, e não estarás desesperado, como tantas vezes em vossas medíocres vidas acreditou estar, mas encarnarás o próprio desespero. Demônios malditos ou anjos de Deus? Pegarás e não irás ter, olharás e não verás, beijarás e não sentirás nada, teu sexo serás seco e lógico. Abraçarás vossos entes queridos e nunca chegarás a tocar-lhes vossos corações. E buscarás abraços mais apertados e peitos mais acolhedores para descansar vossa cabeça pesada, mas no fim de toda noite sentirás frio, Nuit! Saberás que a única certeza do dia é à noite e da juventude é à velhice. E que vosso sexo se enfraquece com o tempo e que vossa cabeça adquire o peso da pedra, e que por isso não necessitarás de grades e nem de algemas para estar preso. E quando, por fim, o leão vier calmo e sereno degustar de vossos ossos,lhe faltará às forças e irás por fim devolver tudo que lhe emprestaram, e não serás mais nada. Nem dor, nem angustia, nem tristeza e nem alegria, perdera a si mesmo em um oceano profundo.Então não morrerás, mas serás a própria morte, a fuga ultima de todos os fracos e ricos de espirito.

Autor: Filipe Zander 

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

A morte é a curva da estrada



A morte é a curva da estrada,
Morrer é só não ser visto.
Se escuto, eu te oiço a passada
Existir como eu existo.

A terra é feita de céu.
A mentira não tem ninho.
Nunca ninguém se perdeu.
Tudo é verdade e caminho.



Fernando Pessoa - 23-5-1932
(Livro do Desassossego) 

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Não tenhas nada nas mãos




Não tenhas nada nas mãos 
Nem uma memória na alma, 
Que quando te puserem 
Nas mãos o óbolo último, 
Ao abrirem-te as mãos 
Nada te cairá. 
Que trono te querem dar 
Que Átropos to não tire? 
Que louros que não fanem 
Nos arbítrios de Minos? 
Que horas que te não tornem 
Da estatura da sombra 
Que serás quando fores 
Na noite e ao fim da estrada. 
Colhe as flores mas larga-as, 
Das mãos mal as olhaste. 
Senta-te ao sol. Abdica 
E sê rei de ti próprio.


Ricardo Reis - 19/06/1914 
(Fernando Pessoa)

domingo, 27 de janeiro de 2013

Juramento da Bruxa


Que eu seja como a que tece o pano
na floresta, profundamente escondida.
Que eu possa fazer o meu trabalho sem interrupção. 
Que eu seja uma exilada, se este é o sacrifício. 
Que eu conheça a procissão sazonada do meu espírito e do meu corpo, e possa celebrar os quartos em cruz, solstícios e equinócios. 
Que cada Lua Cheia me encontre a olhar para cima, nas árvores desenhadas no céu luminoso. 
Que eu possa acariciar flores selvagens, cobri-las com as mãos. 
Que eu possa libertá-las, sem apanhar nenhuma, para viver em abundância. 
Que meus amigos sejam da espécie que ama o silêncio. 
Que sejamos inocentes e despretensiosos. 
Que eu seja capaz de gratidão. 
Que eu saiba ter recebido a alegria, como o leite materno. 
Que eu saiba isso como o meu gato, no sangue e nos ossos. 
Que eu fale a verdade sobre a alegria e a dor, em canções que soem como o aroma do alecrim, como todo o dia e na antiguidade, erva forte da cozinha. 
Que eu não me incline à auto-integridade e a auto-piedade. 
Que eu possa me aproximar dos altos trabalhos da terra e dos círculos de pedra, como raposa ou mariposa, e não perturbar o lugar mais que isso. 
Que meu olhar seja direto e minha mão firme. 
Que minha porta se abra àqueles que habitam fora da riqueza, da fama e do privilégio. 
Que os que jamais andaram descalços não encontrem o caminho que chega a minha porta. 
Que se percam na jornada labiríntica. 
Que eles voltem. 
Que eu me sente ao lado do fogo no inverno e veja as chamas brilhando para o que vier, e nunca tenha necessidade de advertir ou aconselhar, sem que me peçam. 
Que eu possa ter um simples banco de madeira, com verdadeiro regozijo. 
Que o lugar onde habito seja como uma floresta. 
Que haja caminhos e veredas para as cavernas e poços e árvores e flores, animais e pássaros, todos conhecidos e por mim reverenciados com amor. 
Que minha existência mude o mundo não mais nem menos do que o soprar do vento, ou o orgulhoso crescer das árvores. 
Por isso, eu jogo fora a minha roupa. 
Que eu possa conservar a fé, sempre! 
Que jamais encontre desculpas para o oportunismo. 
Que eu saiba que não tenho opção, e assim mesmo escolha como a cantiga é feita, em alegria e com amor. 
Que eu faça a mesma escolha todos os dias e de novo. 
Quando falhar, que eu me conceda o perdão. 
Que eu dance nua, sem medo de enfrentar meu próprio reflexo. 

Autora: Rae Beth