segunda-feira, 2 de julho de 2012

Truth. (Verdade)




Tradução:
"A verdade é que eu nunca sacudi minha sombra
Todo dia isso tenta me enganar para eu ir batalhar
Me chamando de 'falsificador' só para provocar
Quer me colocar atrás das cercas com gado
Construindo suas lentes
Cavando suas trincheiras
Me colocando na linha de frente
Deixando-me com uma mente idiota
Sem nenhuma defesa
Mas sua defesa é
Se você não aguenta sentir dor então você é sem sentido

Desde isto,
Eu cresci um pouco
Diferente, meio lutador
E quando a escuridão vem, deixe entrar em você
Sua escuridão está brilhando
Minha escuridão está brilhando
Tenho fé em mim mesmo
Verdade.

Já vi milhões de portas numeradas no horizonte
Agora qual é o futuro que você escolheu antes de morrer?
Vou lhe contar um segredo que venho destruindo
Cada pequena mentira no mundo vem de dividir
Diga que você é minha amada
Diga que você é meu mano
Incline meu queixo para trás, corte minha garganta
Tome banho no meu sangue, venha me conhecer
Todos meus segredos estão fora
Meus inimigos estão virando meus professores

Porque
A luz é cegante
Nada de dividir
O que é meu ou seu quando tudo está brilhando?
Sua escuridão está brilhando
Minha escuridão está brilhando
Tenha fé em nós mesmos
Verdade.

(Yeah)

Sim, estou só amando, somente tentando amar
E sim, o que estou tentando é apenas amar

Sim, estou só amando, somente tentando amar
Juro para Deus que estou só tentando ser amoroso

Sim estou somente amando sozinho
E sim estou sentindo apenas amor, apenas amor
Dizem que isso não é amar, amar menos meu amor

Eu quero só amar até que eu apenas ame
Juro para Deus que estou só amando
Tentando ser amoroso, amoroso, amoroso, amoroso, amoroso, amoroso, amando

Sim estou somente amando sozinho
E sim estou sentindo apenas amor, apenas amor
Dizem que isso não é amar, amar menos meu amor

Mas estou apenas amando, amando, amando
A Verdade."
Alexander Ebert

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Show de Estrelas



Era uma chuva, era um show de estrelas
Chovia estrelas a granel
Eram milhares de estrelas, uma chuva delas
Caindo lá no chão do céu

E diante da visão do firmamento
Um pensamento vem ao coração
De que cada um de nós não é senão uma estrela
A brilhar no céu do chão

Todos nós
A brilhar, a brilhar
Somos como luas e sóis
A girar, a girar

E a chuva não cessava a sucessão
De pingos lá no chão do céu
Era uma chuva de granizo de estrela em grãos
Chovia estrelas a granel

E diante da visão do firmamento
Na mente um sentimento se produz
De que cada um de nós não é senão uma estrela
Cada um, um ser de luz

Todos nós
A brilhar, a brilhar
Somos seis bilhões de faróis
A girar, a girar
Tal como luas e sóis
A brilhar, a brilhar
Como seis bilhões de faróis
Todos nós, todos nós!


Composição de Marcelo Jeneci

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Que farás tu, meu Deus, se eu perecer?


Que farás tu, meu Deus, se eu perecer?
Eu sou o teu vaso - e se me quebro?
Eu sou tua água - e se apodreço?
Sou tua roupa e teu trabalho
Comigo perdes tu o teu sentido.

Depois de mim não terás um lugar
Onde as palavras ardentes te saúdem.
Dos teus pés cansados cairão
As sandálias que sou.
Perderás tua ampla túnica.
Teu olhar que em minhas pálpebras,
Como num travesseiro,
Ardentemente recebo,
Virá me procurar por largo tempo
E se deitará, na hora do crepúsculo,
No duro chão de pedra.

Que farás tu, meu Deus? O medo me domina.


Autor: Rainer Maria Rilke
(Tradução: Paulo Plínio Abreu)

quarta-feira, 13 de junho de 2012

De Primeira Grandeza



quando eu estou sob as luzes não tenho medo de nada
e a face oculta da lua que era minha aparece iluminada
sou o que escondo sendo uma mulher igual a tua namorada
mas o que vês, quando
mostro estrela de grandeza inesperada

musa, deusa, mulher cantora e bailarina
a força masculina atrai não é só ilusão
a mais que a historia fez e faz o homem se destina a ser maior que deus por ser filho de adão

anjo, herói, prometeu, poeta e dançarino
a glória feminina existe e não se fez em vão e se destina a vir ao gozo a mais do que imagina o louco que pensou a vida sem paixão

Composição: Belchior

terça-feira, 12 de junho de 2012

Crítica e Auto-Crítica


Assim como o homem carrega o peso do próprio corpo sem o sentir,
mas sente qualquer outro corpo que quer mover,
também não nota os próprios defeitos e vícios,
só os dos outros.

Entretanto, cada um tem no seu próximo um espelho,
no qual vê claramente os próprios vícios, defeitos, maus hábitos e repugnâncias de todo o tipo.

Porém, na maioria da vezes,
faz como o cão,
que ladra diante do espelho
por não saber que vê a si mesmo,
crendo ver outro cão.

Arthur Schopenhauer, autoin 'Aforismos para a Sabedoria de Vida'

sábado, 9 de junho de 2012

Workshops de DANÇA SUFI


اعوذ بالله من الشّيطان الرّجيم ، بسم الله الرّحمان الرّحيم

INSCRIÇÃO GRATUITA

Tratam-se de dois workshops, com duração de três horas cada.
É possível inscrever-se para os dois ou então para um workshop,
indicando no acto da inscrição qual é o dia escolhido para participar. 

VILA FRANCA DE XIRA
Sábado 9 de Junho, das 16h às 19h
Domingo 10 de Junho, das 16h às 19h
Festa do Foral de Vila Franca de Xira, Acampamento Medieval
Parque Urbano do Cevadeiro (junto à Praça de Touros)

...com Shaykh Ahmad Dedé, iniciado na ordem dervixe Naqshbandi-Rabbani, autorizado no ensino da dança rodopiante Sufi pelo Mestre Mawlana Shaykh Nazim ar-Rabbani de Chipre. De origem indonésia, Shaykh Ahmad Dedé conduz seminários de meditação, cantos e dança Sufi onde o despertar espiritual é alcançado tocando as vibrantes cordas do coração [ler biografia e mais].

terça-feira, 5 de junho de 2012

Nada te perturbe...



Nada te perturbe, 
Nada te espante, 
Tudo passa, 
Deus não muda. 
A paciência, 
Tudo consegue. 
Quem a Deus tem, 
Nada lhe falta, 
Só Deus é suficiente.

Eleva o Pensamento ao céu sobe
Por nada te angustie Nada te perturbe
A Jesus Cristo segue de coração entregue
E venha o que vier Nada te Espante

Vês a gloria do mundo?  E gloria vã
Nada tem de estável Tudo passa
Aspira as coisas celestes que sempre duram
Fiel e rico em promessas Deus não muda

Ama-O Como merece Bondade imensa
Mas não há verdadeiro amor sem a paciência
Confiança e fé viva mantenha a alma,
Que quem crê e espera Tudo alcança

Do Inferno acossado Muito embora se veja
Burlara os seus furores Quem a Deus Tem
Advenham-lhe desamparos, Cruzes, desgraças
Sendo Deus o seu tesouro Nada lhe falta

Ide pois bens do mundo Ide, ditas vãs
Ainda que tudo perca, Só Deus Basta.


Santa Teresa de Ávila

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Sob o silêncio dos céus...



Porque choras de que existe
A terra e o que a terra tem?
Tudo nosso – mal ou bem –
É fictício e só persiste
Porque a alma aqui é ninguém.

Não chores! Tudo é o nada
Onde os astros luzes são.
Tudo é lei e confusão.
Toma este mundo por strada

E vai como os santos vão.

Levantado de onde lavra
O inferno em que somos réus
Sob o silêncio dos céus,
Encontrarás a Palavra,
O Nome interno de Deus.

E, além da dupla unidade
Do que em dois sexos mistura
A ventura e a desventura,
O sonho e a realidade,
Serás quem já não procura.

Porque, limpo do Universo,
Em Christo nosso Senhor,
Por sua verdade e amor,
Reunirás o disperso
E a Cruz abrirá em Flor. 


Fernando Pessoa

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Se


Se és capaz de manter tua calma, quando,
todo mundo ao redor já a perdeu e te culpa.
De crer em ti quando estão todos duvidando,
e para esses no entanto achar uma desculpa.

Se és capaz de esperar sem te desesperares,
ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
e não parecer bom demais, nem pretensioso.

Se és capaz de pensar - sem que a isso só te atires,
de sonhar - sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se, encontrando a Desgraça e o Triunfo, conseguires,
tratar da mesma forma a esses dois impostores.

Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas,
em armadilhas as verdades que disseste
E as coisas, por que deste a vida estraçalhadas,
e refazê-las com o bem pouco que te reste.

Se és capaz de arriscar numa única parada,
tudo quanto ganhaste em toda a tua vida.
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
resignado, tornar ao ponto de partida.

De forçar coração, nervos, músculos, tudo,
a dar seja o que for que neles ainda existe.
E a persistir assim quando, exausto, contudo,
resta a vontade em ti, que ainda te ordena: Persiste!

Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes,
e, entre Reis, não perder a naturalidade.
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
se a todos podes ser de alguma utilidade.

Se és capaz de dar, segundo por segundo,
ao minuto fatal todo valor e brilho.
Tua é a Terra com tudo o que existe no mundo,
e - o que ainda é muito mais - és um Homem, meu filho!

Autor: Rudyard Kipling

domingo, 20 de maio de 2012

Totem


Espírito selvagem e livre
saímos juntos do ventre da terra
e nos separamos ao raiar do dia…
Mas seguimos entrelaçados
como o instrumento e a melodia
por isso tua força segue aqui, vivendo
neste peito que pulsa,
revestido sob a pele que te oculta…
Agora vem
deixa para trás os portões de tua silenciosa morada
e vem compartilhar de meu mundo
ensina-me a reconhecer e seguir as pegadas
daquela esquecida,
esquisita,
antiga estrada…
Cura-me dos venenos que circulam em meu sangue
encharca de vida minha alma,
porque em ti está o melhor que eu posso chegar
e o desconhecido que em ti habita
é a parte de minha natureza mais pura
que clama por libertar-se
e assumir seu lugar,
em minha voz,
em meu olhar…


sexta-feira, 18 de maio de 2012

Não sei quantas almas eu tenho



Não sei quantas almas tenho. 
Cada momento mudei. 
Continuamente me estranho. 
Nunca me vi nem acabei. 
De tanto ser, só tenho alma. 
Quem tem  alma não tem calma. 
Quem vê é só o que vê, 
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo, 
Torno-me eles e não eu. 
Cada meu sonho ou desejo 
É do que nasce e não meu. 
Sou minha própria paisagem; 
Assisto à minha passagem, 
Diverso, móbil e só, 
Não sei sentir-me onde estou.


Autor: Fernando Pessoa

sábado, 12 de maio de 2012

Hermes Trismegisto - Jorge Ben Jor


"Hermes Trismegisto escreveu
com uma ponta de diamante em uma lâmina de esmeralda
O que está embaixo é como o que está no alto,
e o que está no alto é como o que está embaixo.
E por essas coisas fazem-se os milagres de uma coisa só. 
E como todas essas coisas são e provêm de um
pela mediação do um, 

terça-feira, 8 de maio de 2012

Tocar



Tocar um corpo
e o ar
e a língua de neve.

Tocar a erva
mortal e verde
de cinco noites
e o mar.

Um corpo nu.
E as praias fustigadas
pelo sol e o olhar.

As palavras, vício
torpe, antigo.

As últimas? As primeiras?

Como os ouriços
abrem-se ao rumor do mundo:
o sol ainda verde dos limões,
os esquilos
doutras tardes, o latido
da chuva nas janelas,
os velhos em redor do lume
- nunca foram tão belas


Autor: Eugénio de Andrade ( 1923 )

domingo, 29 de abril de 2012

Terra


Aceita a minha homenagem, Terra, enquanto faço a minha última vénia ao dia.
Ajoelhado aos pés do altar do poente

Tu és poderosa, e apenas reconhecível pelos poderosos;
Tu equilibras o encanto e a severidade,
Misturando o masculino com o feminino,
Trazendo à vida humana o insuportável conflito.
A taça que a tua mão direita enche com nétar
É esmagada pela tua mão esquerda;
O teu pátio ressoa com o teu riso trocista.
Tornas o heroísmo difícil de alcançar;
Toda a excelência custosa
Não tens misericórdia com aqueles que merecem misericórdia.
Um incessante combate oculta-se a teus pés:
As tuas colheitas e frutos são coroas de vitória ganhas na batalha.
Terra e mar são os teus cruéis campos de batalha –
A vida proclama o seu triunfo no rosto da morte.
A civilização finda os seus alicerces na tua crueldade:
A ruína é a condenação exata para qualquer falta.

No primeiro capitulo da tua história os Demónios eram supremos –
Rudes, bárbaros, brutais
Aos seus dedos toscos e grossos faltava arte;
Com clavas e malhos nas mãos armaram motins do mar e nas montanhas.
O seu fogo e o seu fumo agitaram violentamente o céu até ao pesadelo;
Eles controlaram o mundo inerte;
Eles cegaram o ódio da Vida.

Os deuses vieram a seguir; com os seus feitiços e subjugaram os Demónios –
Despedaçada foi a insolência da matéria
A Terra-Mãe estendeu no seu manto verde:
Nos picos do Este estava a Aurora;
Nas costas Oeste caiu A Noite
Derramando a Paz no seu cálice

Os Demónios foram humilhados
Mas a barbárie primordial manteve as suas garras na tua história.
De repente podia invadir a ordem com a anarquia –
Dos negros esconderijos do teu ser
Pode surgir como uma serpente.
A sua loucura está no seu sangue
Os feitiços dos deuses ressoam no céu e no ar e na floresta,
Cantando solenemente dia e noite; alto e baixo;
Mas das regiões sob a tua superfície
Às vezes os Demónios semidomesticados levantam os seus capelos –
Eles ferem-te profundamente e às tuas criaturas
Arruinando a tua própria criação.

No teu assento sobre o bem e o mal,
À tua vasta e terrível beleza,
Ofereço hoje a minha homenagem de vida ferida.
Toco o teu enorme e sepultado depósito da vida e da morte,
Sinto-o através do meu corpo e do meu pensamento.
Os cadáveres de inúmeras gerações de homens jazem amontoados no teu pó:
Eu também acrescentarei alguns punhados, a medida à medida da final das minhas dores e alegrias,
Acrescentando a esse enorme absorvente, a essa forma absorvente, a essa fama absorvente,
A esse silencioso monte de pó.

Terra, presa à pedra ou voando entre as nuvens;
Absorta na medição silenciosa da cordilheira
Ou ruidosamente como o bramido de insones ondas do mar;
És a beleza e a fertilidade, o terror e a fome.
Por um lado acres de searas, inclinando-se com a maturação,
Limpas do orvalho de cada manhã por delicados raios de sol –
Ao poente também, oferecendo na sua ondulante verdura a Alegria, a Alegria;
Por outro lado, nos desertos insalubres, secos, estéreis,
A dança de espetros entre ossos de animais espalhados.

Contemplai as tuas tempestades Baisakh desceras velozmente como falcões negros
Rasgando o horizonte com bicos de luz relampejante
Com chicotada da cauda nas arvores
Até estas caírem desesperadas no chão;
Telhados de colmo soltam-se
Fugindo do vento como condenados das suas correntes.

Mas em Phalgun vi a quente brisa do Sul,
Propagar todas as rapsódias e solilóquios do amor
No seu perfume de flor e manga;
Vi o vinho espumante do Céu transbordar da taça da lua;
Ouvi sebes submeterem-se bruscamente à agitação do vento
E estalarem em ofegantes murmúrios.
Tu és gentil e feroz, antiga e renovada;
Emergiste do fogo sacrificial da criação original há muito, muito tempo.
A tua peregrinação cíclica está preparada com vestígios sem sentido da história;
Abandonando as tuas criações sem remorsos, juntas umas sobre as outras,
Esquecidas.

 Guardião da Vida, tu alimentas-nos
Em pequenas gaiolas de tempo fragmentado,
Fronteiras de todos os nosso jogos, limites reconhecidos.

Hoje, estou à tua frente sem ilusões:
Não te peço a imortalidade à tua porta
Para os muitos dias e noites que passei a tecer as tuas grinaldas.
Mas se eu tivesse dado real valor
Ao teu pequeno assento um minúsculo segmento de uma das Eras
Que se abrem e fecham como clarões nos milhões de anos
Da tua órbita solar ;
Se eu tivesse ganho nos tribunais da vida algum sucesso,
Então marcaria a minha fronte com um sinal feito da tua argila –
Para  ser apagado a tempo pela noite
Na qual todos os sinais desaparecem no desconhecido final.

Ó longínqua, impiedosa Terra,
Antes de eu ser completamente esquecido
Deixa-me colocar a minha homenagem aos teus pés.


Autor: Rabindranath Tagore

sábado, 21 de abril de 2012

Encontros e Despedidas



Mande notícias do mundo de lá
Diz quem fica
Me dê um abraço, venha me apertar
Tô chegando
Coisa que gosto é poder partir
Sem ter planos
Melhor ainda é poder voltar
Quando quero

Todos os dias é um vai-e-vem
A vida se repete na estação
Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai e quer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar
E assim, chegar e partir

São só dois lados
Da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem da partida
A hora do encontro
É também de despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar
É a vida



Composição de Maria Rita

domingo, 15 de abril de 2012

Forjando a Armadura...



Digo não a submeter-me ao medo
Que me tira a alegria de minha liberdade
Que não me deixa arriscar nada,
Que me torna pequeno e mesquinho,
Que me amarra,
Que não me deixa ser direto e franco,
Que me persegue,
Que ocupa negativamente a minha imaginação,
Que sempre pinta visões sombrias.
No entanto, não quero levantar barricadas por medo do medo.

Quero viver, não quero encarcerar-me.
Não quero ser amigável por ter medo de ser sincero.
Quero pisar firme porque estou seguro, não para encobrir meu medo.
E quando me calo, quero fazê-lo por amor, não por temer as conseqüências de minhas palavras.
Não quero acreditar em algo só pelo medo de não acreditar.
Não quero filosofar por medo de que algo possa atingir-me de perto.
Não quero dobrar-me só porque tenho medo de não ser amável.
Não quero impor algo aos outros pelo medo de que possam impor algo a mim;
Por medo de errar, não quero tornar-me inativo.
Não quero fugir de volta para o velho, para o inaceitável, por medo de não me sentir seguro novamente.
Não quero fazer-me de importante porque tenho medo de ser, caso contrário, ignorado.
Por convicção e amor quero fazer o que faço e deixar de fazer o que deixo de fazer.
Do medo quero arrancar o domínio e dá-lo ao Amor.
E quero crer no reino que existe em mim.



Autor: Rudolf  Steiner

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Não tenhas nada na mãos



Não tenhas nada nas mãos
Nem uma memória na alma,
Que quando te puserem
Nas mãos o óbolo último,

Ao abrirem-te as mãos
Nada te cairá.

Que trono te querem dar
Que Átropos to não tire?

Que louros que não fanem
Nos arbítrios de Minos?

Que horas que te não tornem
Da estatura da sombra

Que serás quando fores
Na noite e ao fim da estrada.

Colhe as flores mas larga-as,
Das mãos mal as olhaste.

Senta-te ao sol. Abdica
E sê rei de ti próprio.


19/06/1914
Fernando Pessoa
Heterónimo Ricardo Reis

domingo, 1 de abril de 2012

Poema de Páscoa: O ENCOBERTO


Que símbolo fecundo
Vem na aurora ansiosa?
Na Cruz Morta do Mundo
A Vida, que é a Rosa.

Que símbolo divino
Traz o dia já visto?
Na Cruz, que é o Destino,
A Rosa que é o Cristo.

Que símbolo final
Mostra o sol já desperto?
Na Cruz morta e fatal
A Rosa do Encoberto
.
 
Autor: Fernando Pessoa
Brasão, Mensagem


.....

FELIZ PÁSCOA A TODOS! 

terça-feira, 27 de março de 2012

Os "lugares" de Deus



As pessoas vão aos templos para me saudar-Me;
Quão simples e ignorantes são meus filhos e filhas quando pensam que vivo isolado.

Por que não vêm e Me saúdam na procissão da vida, onde sempre vivo?
Nas fazendas, nas fábricas, no mercado?
Lá onde encho de ânimo aqueles e aquelas que ganham seu pão com o suor do resto?

Por que não Me saúdam no barraco dos pobres?
E Me encontram a abençoar os pobres e necessitados secando lágrimas de viúvas, crianças e órfãos?

Por que não vêm e Me saúdam ao lado da estrada, e me encontram a abençoar o mendigo que pede por pão?

Por que não vêm e Me saúdam entre as pessoas que são pisoteadas pelos orgulhosos no roubo e no poder?
Por que não Me vêem contemplando seu sofrimento e distribuindo compaixão?

Por que não Me vêm e Me saúdam entre as mulheres violentadas e abandonadas, lá onde Me sento junto delas para abençoar e dignificar?

Estou seguro que jamais sentirão falta de Mim, se tentarem Me encontrar no suor e na luta da vida diaria...



 Autor: Kushdeva singh (1974)

sexta-feira, 23 de março de 2012

Uma viagem pelos quadros de Monet
















A dica do Blog dessa vez é poesia visual:


Conheçam o deslumbrante site: Monet2010.com
e façam uma inesquecível viajem pelas obras do mais célebre pintor impressionista de todos os tempos, Oscar-Claude Monet!


Acessem opção "cameras viajante" e ousem derrubar a tinta na tela!!

OBSvai precisas de um boa Internet