quarta-feira, 21 de março de 2012

de RAMSES II para "Ela"


Ela é um menina, e não existe outra como ela.
Ela é mais bela que qualquer outra.
Olha, ela está como um Deusa da estrela nascendo
no início de um ano novo feliz;
Brilhantemente branca e brilhante
Sua pele é clara; Seus olhos bonitos para olhar
E com lábios doces para falar;
Ela não necessita nem uma frase a mais
Com um pescoço longo e peito branco;
Seu cabelo é de Lápis Lazúli genuíno;
Seus braços são mais brilhantes que o ouro;
Os seus dedos são como as flores de lótus;
Com nádegas grandes e cintura cingida.
As suas coxas mostram sua beleza;
Com um passo firme ela pisa no solo.
Ela capturou meu coração em seu abraço.
Ela faz todos homens virar seus pescoços olhar para ela.
Só existe um único olhar quando ela passa por perto.



Poema Egípcio (extraído de um papiro de 3000 anos)
de: RAMSES II –faraó da XIX DINASTIA do EGITO

segunda-feira, 19 de março de 2012

Cantiga do Estradar


Tá fechando sete tempo
qui mia vida é camiá
pulas istradas do mundo
dia e noite sem pará
Já visitei os sete rêno
adonde eu tia qui cantá
sete didal de veneno
traguei sem pestanejá
mais duras penas só eu veno
ôtro cristão prá suportá
sô irirmão do sufrimento
de pauta vea c'a dô
ajuntei no isquicimento
o qui o baldono guardô
meus meste a istrada e o vento
quem na vida me insinô
vô me alembrano na viage
das pinura qui passei
daquelas duras passage
nos lugari adonde andei
Só de pensá me dá friage
nos sucesso qui assentei
na mia lembrança
ligião de condenados
nos grilhão acorrentados
nas treva da inguinorança
sem a luiz do Grande Rei
tudo isso eu vi nas mia andança
nos tempo qui eu bascuiava
o trecho alei
tô de volta já faiz tempo
qui dexei o meu lugá
isso se deu cuano moço
qui eu saí a percurá
nas inlusão que hai no mundo
nas bramura qui hai pru lá
saltei pur prefundos pôço
qui o Tioso tem pru lá
Jesus livrô derna d'eu môço
do raivoso me paiá
já passei pur tantas prova
inda tem prova a infrentá
vô cantando mias trova
qui ajuntei no camiá
lá no céu vejo a lua nova
cumpaia do istradá
ele insinô qui nois vivesse
a vida aqui só pru passá
nois intonce invitasse
o mau disejo e o coração
nois prufiasse pra sê branco
inda mais puro
qui o capucho do algudão
qui nun juntasse dividisse
nem negasse a quem pidisse
nosso amô o nosso bem
nossos terém nosso perdão
só assim nois vê a face ogusta
do qui habita os altos ceus
o Piedoso o Manso o Justo
o Fiel e cumpassivo
Siô de mortos e vivos
Nosso Pai e nosso Deus
disse qui havéra de voltá
cuano essa terra pecadora
marguiada in transgressão
tivesse chea de violença
de rapina de mintira e de ladrão


composição de Elomar Figueira Melo
declamado por Xangai

Para ouvir a musica:

segunda-feira, 12 de março de 2012

Mistério


O mistério que me envolve 
é uma força sobrenatural,
cujo influxo emerge 
dum turbilhão de sentimentos, 
que abarrota, possue, encharca,
acolhe e distribui… 

Que SER que me perdura, 
acalma, transforma e atrai… 

Que força que me sustenta, 
levita, transcende e irradia… 

Que mistério que envolve meu ser, 
sem ciência, sem consciência, 
numa relutância iracional, (a)histórico, 
por não observar, explicar e ter… 

Que mistério pleno, que não nego, por perpassar,
inexplicavelmente, todo o meu viver…


Autor: Maria Dorinha,
24/02/09.

quinta-feira, 8 de março de 2012

O Ser Mulher

Mulher 
Ser em mim
requer
fé sem fim

Lua que espelha
Luz de centelha
e o desafio prima
mistério, enigma

De ser tua
a missão mais pura
de trazer à Terra
o Homem que por ela

Precisa nascer
amar e crescer
divino exubera
ao chegar à meta

Simples Andrógena
essência Cósmica
riqueza interna

Que há de vir
da entrega
que advém da entrega


Composição: Chandra Lacombe 

sexta-feira, 2 de março de 2012

Saudação ao amanhecer


Concentra-te neste dia que desponta!
Pois ele é a vida, 
A própria vida em seu breve curso. 
Jazem nele todas as verdades e realidades de tua existência: 
A felicidade de crescer, 
A glória de agir, 
O esplendor da beleza; 
Pois o dia de ontem é apenas um sonho 
E o amanhã uma visão, 
Mas o dia de hoje, bem vivido, 
Torna cada dia passado um sonho de felicidade 
E cada amanhã uma visão de esperança. 
Concentra-te, portanto, neste dia! 
Neste dia maravilhoso que desponta.


Do sânscrito, autor desconhecido, ano 300:

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Noite Escura


Poema  místico de S. João da Cruz (1578):

Em uma noite escura,
De amor em vivas ânsias inflamada,     
Oh, ditosa ventura!
Saí sem ser notada, 
Já minha casa estando sossegada. 

Na escuridão, segura,
Pela secreta escada, disfarçada,  
Oh, ditosa ventura!
Na escuridão, velada,
Já minha casa estando sossegada.

Em noite tão ditosa,
E num segredo em que ninguém me via,
Nem eu olhava coisa,
Sem outra luz nem guia
Além da que no coração me ardia.

Essa luz me guiava,
Com mais clareza que a do meio-dia,
Aonde me esperava
Quem eu bem conhecia, 
Em sítio onde ninguém aparecia. 

Oh, noite que me guiaste!
Oh, noite mais amável que a alvorada!
Oh, noite que juntaste
Amado com amada,
Amada já no Amado transformada! 

Em meu peito florido
Que, inteiro para ele só guardava,
Quedou-se adormecido,
E eu, terna, o regalava,
E dos cedros o leque o refrescava.

Da ameia a brisa amena, 
Quando eu os seus cabelos afagava,
Com sua mão serena
Em meu colo soprava,
E meus sentidos todos transportava.

Esquecida, quedei-me,
O rosto reclinado sobre o Amado; 
Tudo cessou. Deixei-me,
Largando meu cuidado
Por entre as açucenas olvidado.

Canções de S. João da Cruz (1542-1591) 
que descrevem o modo pelo qual o místico chega ao estado de perfeição espiritual.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Sutra Do Girassol


Caminhei nas margens do abandonado cais de lata onde outrora 
descarregavam banana e fui sentar na sombra enorme de uma locomotiva lá perto 
para olhar e chorar o sol morrendo em ladeiras sobre as casas todas iguais. 
Jack amigo Kerouac sentou-se ao lado no ferro de um mastro roto partido 
e a gente caiu na maior fossa do mundo, os dois ilhados, dois contidos 
na rede das raízes de aço, 
e eu e Jack pensando os mesmos pensamentos da alma.