quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

O Homem; As Viagens


O homem, bicho da terra tão pequeno
Chateia-se na terra
Lugar de muita miséria e pouca diversão,
Faz um foguete, uma cápsula, um módulo
Toca para a lua
Desce cauteloso na lua
Pisa na lua
Planta bandeirola na lua
Experimenta a lua
Coloniza a lua
Civiliza a lua
Humaniza a lua.

Lua humanizada: tão igual à terra.
O homem chateia-se na lua.
Vamos para marte - ordena a suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em marte
Pisa em marte
Experimenta
Coloniza
Civiliza
Humaniza marte com engenho e arte.

Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?
Claro - diz o engenho
Sofisticado e dócil.
Vamos a vênus.
O homem põe o pé em vênus,
Vê o visto - é isto?
Idem
Idem
Idem.

O homem funde a cuca se não for a júpiter
Proclamar justiça junto com injustiça
Repetir a fossa
Repetir o inquieto
Repetitório.

Outros planetas restam para outras colônias.
O espaço todo vira terra-a-terra.
O homem chega ao sol ou dá uma volta
Só para tever?
Não-vê que ele inventa
Roupa insiderável de viver no sol.
Põe o pé e:
Mas que chato é o sol, falso touro
Espanhol domado.

Restam outros sistemas fora
Do solar a col-
Onizar.
Ao acabarem todos
Só resta ao homem
(estará equipado?)
A dificílima dangerosíssima viagem
De si a si mesmo:
Pôr o pé no chão
Do seu coração
Experimentar
Colonizar
Civilizar
Humanizar
O homem
Descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
A perene, insuspeitada alegria
De con-viver.

Carlos Drummond de Andrade 

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Corban


São sete mil léguas
imendada de camin
prêsse mundão largo
sem portêra vem o fim
só vejo na terra a moRte a rondá
peste mil infermidades
fome e guerra ai de mim
mil ventos da morte
estroncios letais
sete vacas magras
tragam as gordas nos currais
pelos sete cravos
das chagas do Siô
lastimos meus êrros
de grande pecadô
geme a terra ao rebentá das covas
branca e lira
mia noiva é a lua nova
ao sol peço clemença
qui esse chão quêma meus pé
quatro cavaleiros
de olhares crueis
prontos pra peleja
já cavalgam seuS corceis
de olhos para os ceus
só ispero Cristo vim
eis qui chegam os maus
tempos do grande fim
treme a terra pela última veiz
ais lamento
é vindo o Rei dos Reis
sol nunca seca meu pranto
qui é preu refrescá meus péis

Composição de Elomar Figueira Melo

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Oração a divina Mãe - Dante Alighieri


Virgem Mãe, filha de teu Filho,
humilde e alta mais que qualquer criatura,
termo prefixado de eterno desígnio,

Tu és aquela que a natureza humana
enobreceste de tal forma, que seu Criador
não desdenhou fazer-se sua criatura.

Em teu ventre reacendeu-se o amor,
por cujo calor na eterna paz
assim germinou esta flor.

Aqui és para nós luz meridiana
de caridade; e embaixo, entre os mortais,
és fonte vivaz de esperança.

Mulher, és tão grande e tanto vales,
que quem deseja graças, e a ti não recorre,
é como alguém que desejasse voar sem asas.

A tua benignidade não apenas socorre
quem pede, mas muitas vezes livremente
e antecipa ao pedido.

Em ti, misericórdia, em ti, piedade,
em ti, magnificência, em ti se coaduna todo o bem
que existe nas criaturas.


Dante Alighieri
(A Divina Comédia - Paraíso, Canto Final)

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Opera Histórico Poética - O Reino Esquecido

Esses três vídeos, de excepcional qualidade artística e cultural, nos oferecem a oportunidade única para uma profunda introspecção na cultura, história e arte que prevalesceram, sob a influência da Gnósis Cristã, na "Nação Cátara" - O Reino Esquecido - que floresceu na região da Ocitânia (sul da França) durante parte da Idade Média.






Para saber mais sobre os Cataros e sua historia veja também: http://gnosisportugal.blogspot.com/2012/01/os-bons-homens-e-inquisicao.html

Superior poesia


A alegria é falsa!
A alegria do samba é falsa.
Tão falsa e vazia quanto o beijo da prostituta.

O prazer é uma prisão com um letreiro grande e brilhoso na entrada, escrito: 
ENTRE, LIBERDADE PARAIZO 


Atrito!!!... 
Interno eterno atrito... 

Falsa alegria 
Nunca basta, nunca sacia 
Mais falsa que a alegria 
só mesmo a tristeza 
sua eterna companheira, 
noite e dia

Autor: Douglas A. Remonatto

domingo, 8 de janeiro de 2012

Como diria Blavatsky



Não sei olhar pra mim
Sem ser no espelho
Talvez por que não queira descobrir
De onde vim, quem sou
Mas ao me deparar contigo,
Eu lembro de um tempo

De um tempo em que os humanos
Não escravizavam os animais
De um tempo em que entendíamos
Que somos seres imortais

Do outro lado da Galáxia
Era você o meu mentor
Brincando, assim me preparava
Pro ouro e para dôr dessa missão
Que eu mesmo escolhi

E antes de eu “descer” me avisou:

“.... – Você não vai saber por quê está ali
- Você não vai saber lidar
Com seu poder
- Nem mesmo vai lembrar quem é
Nem de onde vem....”

Mas hoje, de algo em seu olhar
Eu me encontrei
Você me faz lembrar que somos Deuses
Caídos na terceira dimensão

Foi nossa escolha então
E porque não dizer que temos tempo


compositor: Jorge Vercillo

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Não há mundo

Não há mundo que não tenha
nascido duma brecha dum grito
de dor e prazer.
Os seres as coisas
são uma lâmina de duplo gume
são o fruto de um pacto enigmático.
Durante gerações & mundos a fio
vivemos e continuamos a viver
como um passaro-sem-céu, como
um peixe-fora-d'água - este corpo
e os seus afluentes
não são mais do que um
boomerang cujo retorno nos
pode ser fatal. Do que o fruto meio -anjo
meio -demónio e ó quanto perecível,
dum pacto enigmático... PORÉM
algures entre o anjo e o demónio
algo anseia algo trava e sobretudo trava
uma luta sem tréguas
pelo retorno a antes da queda
pelo retorno a quando e onde
durante mundos & gerações a fio
nada nos separava
DA MAIOR LUZ ...


Autor: D'Almeida J.