sábado, 26 de novembro de 2011

O Príncipe da Catinga

Conheces Elomar? Não?
...então ainda não conheces o melhor da musica Brasileira!
Elomar Figueira de Melo, chamado de "Principe da Catinga" por Vinicius de Morais tem um trabalho musical único!
Bastante influenciados pela tradição ibérico e árabe, que a colonização portuguesa levou ao nordeste brasileiro, Elomar, mistura erudição com musica de raiz, criando uma espécie de trovadorismo/místico/contemporâneo.

As letras de suas musicas transbordam de poesia, mística, mitologias e lendas.

Esse Blog aconselho a todos que não o conhecem, que pesquisem e escutem o trabalho esse nobre e modesto poeta, que na minha humilde opinião, é simplesmente o maior Génio da musica rasileira na actualidade!




Escute aqui: Memória do Rádio dedicado ao grande Elomar. Escute uma interessante entrevista, suas belas composições, saiba mais sobre a vida e a obra deste cantador, vaqueiro, escritor e compositor de estilo único

Veja aqui:
Poste do Blog com musica de Elomar, aqui!

Douglas A. Remonatto

Naninha

Certa veiz um certo prinspe
paxonô-se prua donzela
intiada de um rei
lá do rêno de Castela
mala sorte a qui li foi
moreeno de amô pru ela
pru modi das Arma o rei
li negô intão a mão dela
umbuçado cum um velo
com o semblante ocultado
pelas porta do castelo
mindingava paxonado
té qui um dia essa princeza
desceu feito um Sarafim
ele intonce pidiu ela
que li insinasse o camin
rompe mais Naninha
mais um bucadin
vê qui o pobre cego
nun inxerga o camin
vê meu peito sua
ó siora mia
pela sina tua
triste sina é a mia
de vivê atôa
de pená assim
eu só sem Naninha
e Naninha sem mim
olha pra lagoa
tua camaria
vê o lençol qui a lua
teceu pra Naninha
nessa noite tua
tu serás só mia
junto da lagoa
ó noiva do céu
amada perdoa
sou o princ'pe teu

Composição de Elomar Figueira Melo

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Lúcifer


Aprender para obedecer
não é educação,
é adestramento.
Viver sob a sombra nefasta de regras servis,
temendo sempre o látego do castigo
não pode ser o propósito da criação.
Não fomos criados para exibir bom comportamento
mas para ultrapassar as fronteiras do possível
e contribuir para o drama da existência
com algo mais que nossa simples presença,
cinzenta e fantasmagórica,
como figurantes que não atrapalharam em nada
mas que também não fizeram falta alguma.
E o medo
não tem que ser o fiel da balança
senão o amor e o entendimento.
Meu espírito, por desígnio divino,
leva uma chama que arde por liberdade,
que não aceita a submissão por pura conveniência,
mas que ousa ir além do que está estabelecido.
Se o Criador quis-me assim,
se me deu Asas e ímpeto de voar,
não seria por esperar mais de mim
do que a simples mansidão e recato?
Talvez me quisesse
para ter rival no teatro da vida
talvez me prepare como seu sucessor
tanto faz, não importa.
Só sei que aqueles
que ganham a rebeldia em seus corações
não lhes cabe nenhum papel medíocre.
E por amor,
não por castigo
agora aceito minha reclusão naquela prisão de carne, pelos e ossos
porque sei que ali está o lugar da batalha que devo enfrentar
e também a ponte
que um dia pode levar-me de volta ao Céu
quando tiver completado o que vim construir.

Autoria: Roger Alves

terça-feira, 15 de novembro de 2011

A Árvore Dos Encantados


Acorda, levanta, resolve
Há uma guerra no nosso caminho
Nos confins do infinito
Nas veredas estreitas do universo
Vejo
As cinzas do tempo
O renascimento
As danças do fogo
Purificação, transporte
Escuto
O trovão que escapou
As ladainhas das mulheres secas
Herdeiros do fim do mundo
Isso não é real
Não
Isso não é real
A brotação das coisas
Herdeiros da Tempestade
Girando em torno do sol
Do sol
Girando em torno do sol
Vejo
Aquele cego sorrindo
No nevoeiro da feira
Aquele cego sorrindo
Beijo
A fumaça que sobe
O peito da santa
O cheiro da flor
Árvore dos Encantados
Vim aqui outra vez pra tua sombra
Árvore dos Encantados
Tenho medo, mas estou aqui
Tenho medo, mas estou aqui
Aqui Mãe
Aqui meu Pai
Em cima do medo coragem

Composição: Cordel do Fogo Encantado
(Recado da Ororubá)

domingo, 13 de novembro de 2011

Rua sem saída


 
Por favor
Vocês que se escondem por traz disso que vejo
Que eu sinto
Que eu penso
Por favor me ajudem
Me abracem e me esquentem
Com este amor e com esta força
Porque eu não posso parar agora
Eu não posso
Eu não devo
Vocês que sabem do que eu não sei
Vocês que fazem o que eu não faço
Me ajudem
Enquanto eu posso
Uma ultima oração em forma de poesia
É a ultima saída
Da rua dos poetas
Rua sem saída
Sair voando
Muros e telhados
Gatos e varais
Faço esta ultima oração
Em forma de poesia
Para abrir as azas da imaginação
E sair voando da rua dos poetas
Rua das tristezas
Rua sem saída

“Todos estão na sarjetas, mas os poetas olham as estrelas”

Autoria: Filipe Zander

domingo, 6 de novembro de 2011

A Imperatriz do Sol


Vestida de Sol adentrou o templo, 
Em reverência curvou-se aos seus mestres.

A voz do silêncio dizia 
A espada flamejante é sua.

Coroada imperatriz da luz, 
Conduziu a carruagem às estrelas.

Através das densas florestas, 
Desbravou mundos e esferas.

Com bravura enfrentou os inimigos sombrios 
Em novas terras hasteou a bandeira.

Agora no trono dourado,
Contempla a glória da vitória.

Já não há mais correntes,
A vida flui em liberdade.



quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Mefistófoles


Eu sou Mefistófeles. Mefistófoles!
É, o diabo e todos vocês são Faustos. Faustos, os que vendem a alma ao diabo.
Tudo é vaidade nesse mundo vão, tudo é tristeza, tudo é pó é nada, quem acredita em sonhos é porque já tem a alma morta. O mal da vida cabe entre nossos braços e abraços mas eu não sou exatamente o que vocês pensam, eu não sou exatamente o que as igrejas pensam, as igrejas abobinam me.
Deus me criou para que eu o imitasse de noite. Ele é o sol eu sou a lua, a minha luz paira tudo quanto é futil, margens de rio, pantanos, sombras. 
Quantas vezes vocês viram passar uma figura velada, rápida?
Figura que te daria toda a felicidade, figura que te beijaria indeferidamente. 
Era eu, sou eu. Eu sou aquele que sempre procuraste e nunca poderás achar. 
Os problemas que atormentam os homens são os mesmos problemas que atormentam os deuses. 
Quantas vezes Deus me disse citando João Cabral de Melo Neto: “Ai de mim, ai de mim.” Quem sou eu? 
Quantas vezes Deus me disse: “Meu irmão, eu não sei quem eu sou”. 
Senhores venham até mim, venham até mim, venham!. Eu os deixarem em rodopios fascinantes, uivos castéus e nas trevas, nas trevas vocês veram todo o explendor.
De que adianta vocês viverem em casa como vocês vivem, de que adianta pagar as contas no fim do mês, religiosamante, as contas de luz, gás, telefone, condomínio, IPTU. 
Todos vocês são Faustos. Venham, eu os arrastarei por uma vida bem selvagem, através de uma rasa e vã mediocridade que é o que vocês merecem. 
As suas bem humanas insasiabilidade teram lábios, manjares, bebidas… É difícil encontrar quem não queira vender a sua alma ao diabo. 
As últimas palavras de Goethe, ao morrer, foram: “Luz… Luz, mais luz!”


[Goethe (1749-1832) foi um escritor alemão e pensador que também incursionou pelo campo da ciência. Como escritor, Goethe foi uma das mais importantes figuras da literatura alemã e do Romantismo europeu, nos finais do século XVIII e inícios do século XIX.] (Provocações TV Cultura )