É, o diabo e todos vocês são Faustos. Faustos, os que vendem a alma ao diabo.
Tudo é vaidade nesse mundo vão, tudo é tristeza, tudo é pó é nada, quem acredita em sonhos é porque já tem a alma morta. O mal da vida cabe entre nossos braços e abraços mas eu não sou exatamente o que vocês pensam, eu não sou exatamente o que as igrejas pensam, as igrejas abobinam me.
Deus me criou para que eu o imitasse de noite. Ele é o sol eu sou a lua, a minha luz paira tudo quanto é futil, margens de rio, pantanos, sombras.
Quantas vezes vocês viram passar uma figura velada, rápida?
Figura que te daria toda a felicidade, figura que te beijaria indeferidamente.
Era eu, sou eu. Eu sou aquele que sempre procuraste e nunca poderás achar.
Os problemas que atormentam os homens são os mesmos problemas que atormentam os deuses.
Quantas vezes Deus me disse citando João Cabral de Melo Neto: “Ai de mim, ai de mim.” Quem sou eu?
Quantas vezes Deus me disse: “Meu irmão, eu não sei quem eu sou”.
Senhores venham até mim, venham até mim, venham!. Eu os deixarem em rodopios fascinantes, uivos castéus e nas trevas, nas trevas vocês veram todo o explendor.
De que adianta vocês viverem em casa como vocês vivem, de que adianta pagar as contas no fim do mês, religiosamante, as contas de luz, gás, telefone, condomínio, IPTU.
Todos vocês são Faustos. Venham, eu os arrastarei por uma vida bem selvagem, através de uma rasa e vã mediocridade que é o que vocês merecem.
As suas bem humanas insasiabilidade teram lábios, manjares, bebidas… É difícil encontrar quem não queira vender a sua alma ao diabo.
As últimas palavras de Goethe, ao morrer, foram: “Luz… Luz, mais luz!”
[Goethe (1749-1832) foi um escritor alemão e pensador que também incursionou pelo campo da ciência. Como escritor, Goethe foi uma das mais importantes figuras da literatura alemã e do Romantismo europeu, nos finais do século XVIII e inícios do século XIX.] (Provocações TV Cultura )
William Adolphe Bouguereau (1825-1905) The Youth of Bacchus (1884)
Não esta na antropologia e nem no canto dos museus, não se detêm muito tempo nos livros. Deslumbra-me com os rituais ao redor das fogueiras, aquelas dos antigos tempos, me atrai no suor das negras e as danças ancestrais.
Se adorar alguma coisa é um dever, o que quero adorar é o fogo, é o fogo que me faz vivo e me leva frente à escolha, que me queima ou me faz fogueira, que me faz ir longe ou me transforma aqui e agora em pó, pó este que corre pelo relógio de areia e me faz morto.
Mas morrer? Que Deus seria esse se desse a vida com a mão direita e lhe tirasse com a esquerda? Não, a vida esta além do pó, mas não meu corpo, este é do tempo, fica aqui, este já é um suicida que corre em direção do piso.
Devo negar-me! Esta é a mensagem da dor, o local da ferida que não deve ser curada, mas arrancada deste leproso. Levantem-se e andem, pois é isso que faz o caminho, não esta aqui nem ali, em nenhum lugar.
Por Deus! isso é desesperador, o caminho esta em nossos pés, devemos andar, devemos largar todo o peso, devemos largar isso tudo que nos prende e andar. Tocar em si, como em uma porta, caminhar, observar, absorver, selva em mim, selva em mim.
Aborrecemo-nos no cotidiano, nos enlouquece discursos longos, é nossa preguiça, mas também são os antigos regedores, partes autônomas do ser. Somos por demais subjetivos, ignorantes em uma dança profana, não caminho e o “não caminho” é o próprio anticristo.
Limpai o templo profeta, queima incenso e invoca antigos deuses, lhe-inspira, para que assim faça de si local santo, local santo, com místico som e danças circulares, como o movimento dos astros.
Leia para mim oh! Deus a tua poesia, as suas canções, declamai para mim, fazei de mim seu mais humilde ouvinte, mas lhe peço, coloque em sua poesia um Cireneu, alguém que me ajude e me permita a tua melodia dançar.