terça-feira, 15 de novembro de 2011

A Árvore Dos Encantados


Acorda, levanta, resolve
Há uma guerra no nosso caminho
Nos confins do infinito
Nas veredas estreitas do universo
Vejo
As cinzas do tempo
O renascimento
As danças do fogo
Purificação, transporte
Escuto
O trovão que escapou
As ladainhas das mulheres secas
Herdeiros do fim do mundo
Isso não é real
Não
Isso não é real
A brotação das coisas
Herdeiros da Tempestade
Girando em torno do sol
Do sol
Girando em torno do sol
Vejo
Aquele cego sorrindo
No nevoeiro da feira
Aquele cego sorrindo
Beijo
A fumaça que sobe
O peito da santa
O cheiro da flor
Árvore dos Encantados
Vim aqui outra vez pra tua sombra
Árvore dos Encantados
Tenho medo, mas estou aqui
Tenho medo, mas estou aqui
Aqui Mãe
Aqui meu Pai
Em cima do medo coragem

Composição: Cordel do Fogo Encantado
(Recado da Ororubá)

domingo, 13 de novembro de 2011

Rua sem saída


 
Por favor
Vocês que se escondem por traz disso que vejo
Que eu sinto
Que eu penso
Por favor me ajudem
Me abracem e me esquentem
Com este amor e com esta força
Porque eu não posso parar agora
Eu não posso
Eu não devo
Vocês que sabem do que eu não sei
Vocês que fazem o que eu não faço
Me ajudem
Enquanto eu posso
Uma ultima oração em forma de poesia
É a ultima saída
Da rua dos poetas
Rua sem saída
Sair voando
Muros e telhados
Gatos e varais
Faço esta ultima oração
Em forma de poesia
Para abrir as azas da imaginação
E sair voando da rua dos poetas
Rua das tristezas
Rua sem saída

“Todos estão na sarjetas, mas os poetas olham as estrelas”

Autoria: Filipe Zander

domingo, 6 de novembro de 2011

A Imperatriz do Sol


Vestida de Sol adentrou o templo, 
Em reverência curvou-se aos seus mestres.

A voz do silêncio dizia 
A espada flamejante é sua.

Coroada imperatriz da luz, 
Conduziu a carruagem às estrelas.

Através das densas florestas, 
Desbravou mundos e esferas.

Com bravura enfrentou os inimigos sombrios 
Em novas terras hasteou a bandeira.

Agora no trono dourado,
Contempla a glória da vitória.

Já não há mais correntes,
A vida flui em liberdade.



quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Mefistófoles


Eu sou Mefistófeles. Mefistófoles!
É, o diabo e todos vocês são Faustos. Faustos, os que vendem a alma ao diabo.
Tudo é vaidade nesse mundo vão, tudo é tristeza, tudo é pó é nada, quem acredita em sonhos é porque já tem a alma morta. O mal da vida cabe entre nossos braços e abraços mas eu não sou exatamente o que vocês pensam, eu não sou exatamente o que as igrejas pensam, as igrejas abobinam me.
Deus me criou para que eu o imitasse de noite. Ele é o sol eu sou a lua, a minha luz paira tudo quanto é futil, margens de rio, pantanos, sombras. 
Quantas vezes vocês viram passar uma figura velada, rápida?
Figura que te daria toda a felicidade, figura que te beijaria indeferidamente. 
Era eu, sou eu. Eu sou aquele que sempre procuraste e nunca poderás achar. 
Os problemas que atormentam os homens são os mesmos problemas que atormentam os deuses. 
Quantas vezes Deus me disse citando João Cabral de Melo Neto: “Ai de mim, ai de mim.” Quem sou eu? 
Quantas vezes Deus me disse: “Meu irmão, eu não sei quem eu sou”. 
Senhores venham até mim, venham até mim, venham!. Eu os deixarem em rodopios fascinantes, uivos castéus e nas trevas, nas trevas vocês veram todo o explendor.
De que adianta vocês viverem em casa como vocês vivem, de que adianta pagar as contas no fim do mês, religiosamante, as contas de luz, gás, telefone, condomínio, IPTU. 
Todos vocês são Faustos. Venham, eu os arrastarei por uma vida bem selvagem, através de uma rasa e vã mediocridade que é o que vocês merecem. 
As suas bem humanas insasiabilidade teram lábios, manjares, bebidas… É difícil encontrar quem não queira vender a sua alma ao diabo. 
As últimas palavras de Goethe, ao morrer, foram: “Luz… Luz, mais luz!”


[Goethe (1749-1832) foi um escritor alemão e pensador que também incursionou pelo campo da ciência. Como escritor, Goethe foi uma das mais importantes figuras da literatura alemã e do Romantismo europeu, nos finais do século XVIII e inícios do século XIX.] (Provocações TV Cultura )

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Um Deus musico e uma matéria surda

William Adolphe  Bouguereau (1825-1905) The Youth of Bacchus (1884)
Não esta na antropologia e nem no canto dos museus, não se detêm muito tempo nos livros. Deslumbra-me com os rituais ao redor das fogueiras, aquelas dos antigos tempos, me atrai no suor das negras e as danças ancestrais.

Se adorar alguma coisa é um dever, o que quero adorar é o fogo, é o fogo que me faz vivo e me leva frente à escolha, que me queima ou me faz fogueira, que me faz ir longe ou me transforma aqui e agora em pó, pó este que corre pelo relógio de areia e me faz morto.

Mas morrer? Que Deus seria esse se desse a vida com a mão direita e lhe tirasse com a esquerda? Não, a vida esta além do pó, mas não meu corpo, este é do tempo, fica aqui, este já é um suicida que corre em direção do piso.

Devo negar-me! Esta é a mensagem da dor, o local da ferida que não deve ser curada, mas arrancada deste leproso. Levantem-se e andem, pois é isso que faz o caminho, não esta aqui nem ali, em nenhum lugar.

Por Deus! isso é desesperador, o caminho esta em nossos pés, devemos andar, devemos largar todo o peso, devemos largar isso tudo que nos prende e andar. Tocar em si, como em uma porta, caminhar, observar, absorver, selva em mim, selva em mim.

Aborrecemo-nos no cotidiano, nos enlouquece discursos longos, é nossa preguiça, mas também são os antigos regedores, partes autônomas do ser. Somos por demais subjetivos, ignorantes em uma dança profana, não caminho e o “não caminho” é o próprio anticristo.

Limpai o templo profeta, queima incenso e invoca antigos deuses, lhe-inspira, para que assim faça de si local santo, local santo, com místico som e danças circulares, como o movimento dos astros.

Leia para mim oh! Deus a tua poesia, as suas canções, declamai para mim, fazei de mim seu mais humilde ouvinte, mas lhe peço, coloque em sua poesia um Cireneu, alguém que me ajude e me permita a tua melodia dançar.

Autoria: Filipe Zander Silva

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Eu só peço a Deus


Eu só peço a Deus
Que a dor não me seja indiferente
Que a morte não me encontre um dia 
Solitário sem ter feito o q'eu queria
Eu só peço a Deus
Que a dor não me seja indiferente
Que a morte não me encontre um dia 
Solitário sem ter feito o que eu queria
Eu só peço a Deus
Que a injustiça não me seja indiferente
Pois não posso dar a outra face 
Se já fui machucada brutalmente
Eu só peço a Deus
Que a guerra não me seja indiferente
É um monstro grande e pisa forte 
Toda fome e inocência dessa gente

Eu só peço a Deus
Que a mentira não me seja indiferente
Se um só traidor tem mais poder que um povo 
Que este povo não esqueça facilmente

Eu só peço a Deus
Que o futuro não me seja indiferente
Sem ter que fugir desenganando 
Pra viver uma cultura diferente



Oração de Mahatma Ghandi
Intepretação: Mercedes Sosa e Beth Carvalho