quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Um Deus musico e uma matéria surda

William Adolphe  Bouguereau (1825-1905) The Youth of Bacchus (1884)
Não esta na antropologia e nem no canto dos museus, não se detêm muito tempo nos livros. Deslumbra-me com os rituais ao redor das fogueiras, aquelas dos antigos tempos, me atrai no suor das negras e as danças ancestrais.

Se adorar alguma coisa é um dever, o que quero adorar é o fogo, é o fogo que me faz vivo e me leva frente à escolha, que me queima ou me faz fogueira, que me faz ir longe ou me transforma aqui e agora em pó, pó este que corre pelo relógio de areia e me faz morto.

Mas morrer? Que Deus seria esse se desse a vida com a mão direita e lhe tirasse com a esquerda? Não, a vida esta além do pó, mas não meu corpo, este é do tempo, fica aqui, este já é um suicida que corre em direção do piso.

Devo negar-me! Esta é a mensagem da dor, o local da ferida que não deve ser curada, mas arrancada deste leproso. Levantem-se e andem, pois é isso que faz o caminho, não esta aqui nem ali, em nenhum lugar.

Por Deus! isso é desesperador, o caminho esta em nossos pés, devemos andar, devemos largar todo o peso, devemos largar isso tudo que nos prende e andar. Tocar em si, como em uma porta, caminhar, observar, absorver, selva em mim, selva em mim.

Aborrecemo-nos no cotidiano, nos enlouquece discursos longos, é nossa preguiça, mas também são os antigos regedores, partes autônomas do ser. Somos por demais subjetivos, ignorantes em uma dança profana, não caminho e o “não caminho” é o próprio anticristo.

Limpai o templo profeta, queima incenso e invoca antigos deuses, lhe-inspira, para que assim faça de si local santo, local santo, com místico som e danças circulares, como o movimento dos astros.

Leia para mim oh! Deus a tua poesia, as suas canções, declamai para mim, fazei de mim seu mais humilde ouvinte, mas lhe peço, coloque em sua poesia um Cireneu, alguém que me ajude e me permita a tua melodia dançar.

Autoria: Filipe Zander Silva

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Eu só peço a Deus


Eu só peço a Deus
Que a dor não me seja indiferente
Que a morte não me encontre um dia 
Solitário sem ter feito o q'eu queria
Eu só peço a Deus
Que a dor não me seja indiferente
Que a morte não me encontre um dia 
Solitário sem ter feito o que eu queria
Eu só peço a Deus
Que a injustiça não me seja indiferente
Pois não posso dar a outra face 
Se já fui machucada brutalmente
Eu só peço a Deus
Que a guerra não me seja indiferente
É um monstro grande e pisa forte 
Toda fome e inocência dessa gente

Eu só peço a Deus
Que a mentira não me seja indiferente
Se um só traidor tem mais poder que um povo 
Que este povo não esqueça facilmente

Eu só peço a Deus
Que o futuro não me seja indiferente
Sem ter que fugir desenganando 
Pra viver uma cultura diferente



Oração de Mahatma Ghandi
Intepretação: Mercedes Sosa e Beth Carvalho

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

A Dor



E uma mulher disse: “Fala-nos da dor.”
E ele respondeu:
“Vossa dor é o rompimento do invólucro que encerra vossa compreensão. Assim como a semente da fruta deve quebrar-se para que seu coração apareça ante o sol, deste modo deveis conhecer a dor.
Se vosso coração pudesse viver sempre no deslumbramento do milagre cotidiano, vossa dor não vos pareceria menos maravilhosa que vossa alegria; e aceitaríeis as estações de vosso coração como sempre aceitastes as estações que passam sobre vossos campos; e contemplaríeis serenamente os invernos de vossa aflição.
Grande parte de vosso sofrimento é por vós próprios escolhida: é a amarga poção com a qual o médico que está em vós cura o vosso Eu-doente.
Confiai, portanto, no médico, e bebei seu remédio em silêncio e tranqüilidade: pois sua mão, embora pesada e dura, é guiada pela suave mão do Invisível, e a taça que ele vos oferece, embora queime vossos lábios, foi confeccionada com a argila que o Oleiro umedeceu com Suas lágrimas sagradas.”

Autoria: Khalil Gibran - Estraido do Livro: O Profeta

A Prisão do Orgulho



Choro, metido na masmorra
do meu nome.

Dia após dia, levanto, sem descanso,
este muro à minha volta;
e à medida que se ergue no céu,
esconde-se em negra sombra
o meu ser verdadeiro.

Este belo muro
é o meu orgulho,
que eu retoco com cal e areia
para evitar a mais leve fenda.

E com este cuidado todo,
perco de vista
o meu ser verdadeiro.


Rabindranath Tagore, in "O Coração da Primavera" 
Tradução de Manuel Simões

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Consumindo-me...


Desejaria não possuir,
Nem ser possuído.

Já não ambiciono mais o paraíso,
Mais importante, não temerei mais o inferno.

A medicina para meu sofrimento
Tinha-a dentro de mim desde el principio,
Mas não a tomava.

Meu sofrimento vinha de meu interior,
Mas não o observava
Até este momento.

Agora vejo que nunca encontrarei a luz
A menos que, como a vela, seja meu próprio combustível,
Consumindo-me a mim mesmo.


Poema de Bruce Lee