quarta-feira, 6 de julho de 2011

Poema de Mandela



Dentro da noite que me rodeia
Negra como um poço de lado-a-lado
Eu agradeço aos deuses que existem
Por minha alma indomável
Nas garras crueis da circunstância
Eu não tremo ou me desespero
Sob os duros golpes da sorte
Minha cabeça sangra,
Mas não se curva,
Além deste lugar de raiva e choro
Para somente o horror da sombra
E, ainda assim a ameaça do tempo
Vai me encontrar e me achar, destemido
Não importa se o portão é estreito,
Não importa o tamanho do castigo.
Eu sou o dono do meu destino.
Eu sou o capitão da minha alma

Autor: Nelson Mandela

quarta-feira, 29 de junho de 2011

A DOR DO PARTO

O hálito de morte
Transpirando esta na minha pele
Suor de três primaveras
Como orvalho
Orvalho que afoga a semente que não nasceu
Como a lágrima
Ou a tristeza de gozar o fracasso supremo
Se derramando

Já vai alta a madrugada
Emoção criptografada
Assim se escorre segundos e anos
Assim se escorre o sangue que volta a terra
Assim se morre ao nascer do dia
Morrendo toda madrugada
O hálito de morte em cada canto deste quarto
Lembranças que se esvaem

Alguém que esta morrendo
Como uma criança que nasce
A dor do parto
Como quando parte sem saber que não voltaria
A dor de lembrar
Que tão pouco me esqueceria
O meu passado morre
Pois no próximo passo
A poeira do ultimo passo
já é passado.

Autor: Filipe Zander Silva

terça-feira, 21 de junho de 2011

Galope Razante


A sombra que me move
Também me ilumina
Me leve nos cabelos
Me lave na piscina
De cada ponto claro
Cometa que cai no mar
De cada cor diferente
Que tente me clarear
É noite que vai chegar
É claro que é de manhã
É moça e anciã
O pelo do cavalo
O vento pela crina
O hábito no olho
Veneno, lamparina
Debaixo de sete quedas
Querendo me levantar
Debaixo de teus cabelos
A fonte de se banhar
É ouro que vai pingar
Na prata do camelô
É noite do meu amor

Musica de Ceumar
Composição : Zé Ramalho-1978

quinta-feira, 16 de junho de 2011

A Oração ao Deus Desconhecido


Antes de prosseguir em meu caminho 
e lançar o meu olhar para frente uma vez mais, 
elevo, só, minhas mãos a Ti na direcção de quem eu fujo.

A Ti, das profundezas de meu coração,
tenho dedicado altares festivos para que, 
em Cada momento, 
Tua voz me pudesse chamar.

Sobre esses altares estão gravadas em fogo estas palavras:
"Ao Deus desconhecido”.
Seu, sou eu, 
embora até o presente tenha me associado aos sacrílegos.

Seu, sou eu, 
não obstante os laços que me puxam para o abismo.

Mesmo querendo fugir, sinto-me forçado a servi-lo.
Eu quero Te conhecer, desconhecido.
Tu, que me penetras a alma e, qual turbilhão, invades a minha vida.
Tu, o incompreensível, mas meu semelhante, quero Te conhecer,
quero servir só a Ti.

Autor: Friedrich Nietzsche
tradução feita por Leonardo Boff

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Os anjos caídos (ou a costrução do caos)


Os homens são anjos caídos que Deus mandou para Terra 
porque botaram defeito na criação do mundo. 
Aqui, começaram a inventar coisas, a imitar Deus. 
E Deus ficou zangado, mandou muita chuva e muito fogo, 
eu vi de perto a sua raiva sacra, 
pois foram sete dias de trabalho intenso,
eu vi de perto, quando chegava uma noite escura

Só meu candeeiro é quem velava o Seu sono santo
Santo que é Seu nome e Seu sorriso raro
Eu voava alto porque tinha um grande par de asas
Até que um dia caí

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Menino Jesus



Num meio-dia de fim de Primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.

Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.

AS ESTRELAS


Lá, nas celestes regiões distantes,
No fundo melancólico da Esfera,
Nos caminhos da eterna Primavera
Do amor, eis as estrelas palpitantes.

Quantos mistérios andarão errantes,
Quantas almas em busca da Quimera,
Lá, das estrelas nessa paz austera
Soluçarão, nos altos céus radiantes.
 
Finas flores de pérolas e prata,
Das estrelas serenas se desata
Toda a caudal das ilusões insanas.

Quem sabe, pelos tempos esquecidos,
Se as estrelas não são os ais perdidos
Das primitivas legiões humanas?!

 
Autor: Cruz e Sousa