quinta-feira, 16 de junho de 2011

A Oração ao Deus Desconhecido


Antes de prosseguir em meu caminho 
e lançar o meu olhar para frente uma vez mais, 
elevo, só, minhas mãos a Ti na direcção de quem eu fujo.

A Ti, das profundezas de meu coração,
tenho dedicado altares festivos para que, 
em Cada momento, 
Tua voz me pudesse chamar.

Sobre esses altares estão gravadas em fogo estas palavras:
"Ao Deus desconhecido”.
Seu, sou eu, 
embora até o presente tenha me associado aos sacrílegos.

Seu, sou eu, 
não obstante os laços que me puxam para o abismo.

Mesmo querendo fugir, sinto-me forçado a servi-lo.
Eu quero Te conhecer, desconhecido.
Tu, que me penetras a alma e, qual turbilhão, invades a minha vida.
Tu, o incompreensível, mas meu semelhante, quero Te conhecer,
quero servir só a Ti.

Autor: Friedrich Nietzsche
tradução feita por Leonardo Boff

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Os anjos caídos (ou a costrução do caos)


Os homens são anjos caídos que Deus mandou para Terra 
porque botaram defeito na criação do mundo. 
Aqui, começaram a inventar coisas, a imitar Deus. 
E Deus ficou zangado, mandou muita chuva e muito fogo, 
eu vi de perto a sua raiva sacra, 
pois foram sete dias de trabalho intenso,
eu vi de perto, quando chegava uma noite escura

Só meu candeeiro é quem velava o Seu sono santo
Santo que é Seu nome e Seu sorriso raro
Eu voava alto porque tinha um grande par de asas
Até que um dia caí

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Menino Jesus



Num meio-dia de fim de Primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.

Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.

AS ESTRELAS


Lá, nas celestes regiões distantes,
No fundo melancólico da Esfera,
Nos caminhos da eterna Primavera
Do amor, eis as estrelas palpitantes.

Quantos mistérios andarão errantes,
Quantas almas em busca da Quimera,
Lá, das estrelas nessa paz austera
Soluçarão, nos altos céus radiantes.
 
Finas flores de pérolas e prata,
Das estrelas serenas se desata
Toda a caudal das ilusões insanas.

Quem sabe, pelos tempos esquecidos,
Se as estrelas não são os ais perdidos
Das primitivas legiões humanas?!

 
Autor: Cruz e Sousa

sexta-feira, 20 de maio de 2011

VIVO SEM VIVER EM MIM



Vivo sem viver em mim,
E tão alta vida espero,
Que morro porque não morro.

Vivo já fora de mim,
Desde que morro d’Amor
Porque vivo no Senhor
Que me escolheu para Si;
Quando o coração Lhe dei

Com terno amor lhe gravei:
Que morro porque não morro.


segunda-feira, 16 de maio de 2011

Tudo passa...


Tudo passa
A conversa
O debate acirrado
Tudo se perde pelo ar
Uma hora uma semana
Tudo passa
O mundo gira
Passa Raimundo pelo mundo
E não percebe a hora de calar
Mas o silencio fica e o tempo para
Quando o espanto é mais forte que a vontade de falar
Frente ao mundo
Me calo!
O mundo
Ai! O mundo
O mundo é maior que o sujeito da oração
Eu vou calar!
Porque o mundo grita as palavras que dançam pelo ar
Ai a dança. A dança é uma arte
A mesma arte que o vento fez no fogo
com vontade de esquentar
Dança, dançamos todos neste salão
Mas sujeito nunca dança sem oração
E nem fogueira existe sem ar
Porque o mundo é o coreto que nunca para de cantar
E meu amigo, te dou uma dica
Silencia, escuta e dança
Para que o corto possa te amar..

Autor: Filipe Zander