segunda-feira, 30 de maio de 2011

Menino Jesus



Num meio-dia de fim de Primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.

Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.

AS ESTRELAS


Lá, nas celestes regiões distantes,
No fundo melancólico da Esfera,
Nos caminhos da eterna Primavera
Do amor, eis as estrelas palpitantes.

Quantos mistérios andarão errantes,
Quantas almas em busca da Quimera,
Lá, das estrelas nessa paz austera
Soluçarão, nos altos céus radiantes.
 
Finas flores de pérolas e prata,
Das estrelas serenas se desata
Toda a caudal das ilusões insanas.

Quem sabe, pelos tempos esquecidos,
Se as estrelas não são os ais perdidos
Das primitivas legiões humanas?!

 
Autor: Cruz e Sousa

sexta-feira, 20 de maio de 2011

VIVO SEM VIVER EM MIM



Vivo sem viver em mim,
E tão alta vida espero,
Que morro porque não morro.

Vivo já fora de mim,
Desde que morro d’Amor
Porque vivo no Senhor
Que me escolheu para Si;
Quando o coração Lhe dei

Com terno amor lhe gravei:
Que morro porque não morro.


segunda-feira, 16 de maio de 2011

Tudo passa...


Tudo passa
A conversa
O debate acirrado
Tudo se perde pelo ar
Uma hora uma semana
Tudo passa
O mundo gira
Passa Raimundo pelo mundo
E não percebe a hora de calar
Mas o silencio fica e o tempo para
Quando o espanto é mais forte que a vontade de falar
Frente ao mundo
Me calo!
O mundo
Ai! O mundo
O mundo é maior que o sujeito da oração
Eu vou calar!
Porque o mundo grita as palavras que dançam pelo ar
Ai a dança. A dança é uma arte
A mesma arte que o vento fez no fogo
com vontade de esquentar
Dança, dançamos todos neste salão
Mas sujeito nunca dança sem oração
E nem fogueira existe sem ar
Porque o mundo é o coreto que nunca para de cantar
E meu amigo, te dou uma dica
Silencia, escuta e dança
Para que o corto possa te amar..

Autor: Filipe Zander

sábado, 14 de maio de 2011

Feito pra Acabar


Quem me diz
Da estrada que não cabe onde termina
Da luz que cega quando te ilumina
Da pergunta que emudece o coração

Quantas são 
as dores e alegrias de uma vida
Jogadas na explosão de tantas vidas
Vezes tudo que não cabe no querer

Vai saber 
se olhando bem no rosto do impossível
O véu, o vento o alvo invisível
Se desvenda o que nos une ainda assim

A gente é feito pra acabar

A gente é feito pra dizer que sim
A gente é feito pra caber no mar
E isso nunca vai ter fim


Composição de: Marcelo Jeneci

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Eu sou Um...


Eu sou Um
Duplo em imagem
Trino em manifestação
Eu desci dos céus directamente em sacrifício de mim mesmo,
em nome do retorno.

Eu sou a luz e o portador da luz
Eu sou a serpente enroscada na árvore
Eu me revelo no seu tronco com luz e fogo
Em minhas curvas está o mistério da redenção.

E o conhecimento de mim é o conhecimento do caminho
Mas deveis ver além de mim
Do contrário verás apenas distinção na coisa mesma
pois ali reside o mistério do véu que é ele mesmo.

No primeiro estágio eu seguro o archote
No segundo, eu sou a própria luz
No terceiro, tu me abandonas.

Pois não há distinção entre tu e o pai
Onde meu caminho é finito

Eu desci de minha glória para salvar o homem
Tira-lo da inocência da não existência
E eleva-lo aos céus, em dois.

Pois duplo é o aspecto
E o verdadeiro casamento de Adão e Eva celebrou-se diante de mim!

Eu libertei tua raça, ó homem!
Em verdade, tua liberdade é a minha liberdade!

Quando desci, eu gerei o universo tal qual tu desconheces;
Meu descenso velou o Sagrado e criou a busca.

Sou a divina centelha que habita em ti:
Dentro de ti, sou a vida;
fora, sou o caminho;
no Todo, sou a luz da verdade

Minhas mãos estão estendidas a ti!
Te recebo, te levo, te guio.
Sou teu até o momento em que me libertarás,
e através de ti finalmente serei, novamente,
Um e Deus.


Autor desconhecido