sexta-feira, 20 de maio de 2011

VIVO SEM VIVER EM MIM



Vivo sem viver em mim,
E tão alta vida espero,
Que morro porque não morro.

Vivo já fora de mim,
Desde que morro d’Amor
Porque vivo no Senhor
Que me escolheu para Si;
Quando o coração Lhe dei

Com terno amor lhe gravei:
Que morro porque não morro.


segunda-feira, 16 de maio de 2011

Tudo passa...


Tudo passa
A conversa
O debate acirrado
Tudo se perde pelo ar
Uma hora uma semana
Tudo passa
O mundo gira
Passa Raimundo pelo mundo
E não percebe a hora de calar
Mas o silencio fica e o tempo para
Quando o espanto é mais forte que a vontade de falar
Frente ao mundo
Me calo!
O mundo
Ai! O mundo
O mundo é maior que o sujeito da oração
Eu vou calar!
Porque o mundo grita as palavras que dançam pelo ar
Ai a dança. A dança é uma arte
A mesma arte que o vento fez no fogo
com vontade de esquentar
Dança, dançamos todos neste salão
Mas sujeito nunca dança sem oração
E nem fogueira existe sem ar
Porque o mundo é o coreto que nunca para de cantar
E meu amigo, te dou uma dica
Silencia, escuta e dança
Para que o corto possa te amar..

Autor: Filipe Zander

sábado, 14 de maio de 2011

Feito pra Acabar


Quem me diz
Da estrada que não cabe onde termina
Da luz que cega quando te ilumina
Da pergunta que emudece o coração

Quantas são 
as dores e alegrias de uma vida
Jogadas na explosão de tantas vidas
Vezes tudo que não cabe no querer

Vai saber 
se olhando bem no rosto do impossível
O véu, o vento o alvo invisível
Se desvenda o que nos une ainda assim

A gente é feito pra acabar

A gente é feito pra dizer que sim
A gente é feito pra caber no mar
E isso nunca vai ter fim


Composição de: Marcelo Jeneci

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Eu sou Um...


Eu sou Um
Duplo em imagem
Trino em manifestação
Eu desci dos céus directamente em sacrifício de mim mesmo,
em nome do retorno.

Eu sou a luz e o portador da luz
Eu sou a serpente enroscada na árvore
Eu me revelo no seu tronco com luz e fogo
Em minhas curvas está o mistério da redenção.

E o conhecimento de mim é o conhecimento do caminho
Mas deveis ver além de mim
Do contrário verás apenas distinção na coisa mesma
pois ali reside o mistério do véu que é ele mesmo.

No primeiro estágio eu seguro o archote
No segundo, eu sou a própria luz
No terceiro, tu me abandonas.

Pois não há distinção entre tu e o pai
Onde meu caminho é finito

Eu desci de minha glória para salvar o homem
Tira-lo da inocência da não existência
E eleva-lo aos céus, em dois.

Pois duplo é o aspecto
E o verdadeiro casamento de Adão e Eva celebrou-se diante de mim!

Eu libertei tua raça, ó homem!
Em verdade, tua liberdade é a minha liberdade!

Quando desci, eu gerei o universo tal qual tu desconheces;
Meu descenso velou o Sagrado e criou a busca.

Sou a divina centelha que habita em ti:
Dentro de ti, sou a vida;
fora, sou o caminho;
no Todo, sou a luz da verdade

Minhas mãos estão estendidas a ti!
Te recebo, te levo, te guio.
Sou teu até o momento em que me libertarás,
e através de ti finalmente serei, novamente,
Um e Deus.


Autor desconhecido

domingo, 8 de maio de 2011

Além


"Para além do bem e do mal"
Disse um filósofo
Em seu inferno astral

"Para além do mal e do bem"
Disse bem tranquilo
Um monge todo zen
 
 

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Cântico Negro


"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mãe

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!

Autor: José Régio