sábado, 16 de abril de 2011

Contos: "Jesus Não era Manso"

Dizem que Jesus de Nazaré era humilde e manso.
Dizem que, embora justo e reto, era homem tímido, e foi confundido muitas vezes pelos fortes e poderosos; e que, quando se achava diante de homens de autoridade, não passava de um cordeiro entre leões.
Mas eu digo que Jesus tinha autoridade sobre os homens e que conhecia Seu poder e o proclamava entre as colinas da Galileia e nas cidades da Judeia e da Fenícia.
Que homem condescendente e brande diria: “Eu sou a Vida, eu sou o caminho para verdade”?
Que homem manso e humilde diria: “Eu estou em Deus, nossa Pai; e nosso Deus, o Pai, está em mim”?
Que homem inseguro da sua própria força diria: “Quem não acredita em mim não acredita nesta vida nem na vida sempiterna”?
Que homem incerto do amanha proclamaria: “Vosso mundo passará e se convertera em cinzas esparsas antes que passem minhas palavras”?
Duvidava Ele de si quando disse aqueles que tentavam embaraçá-lo com um prostituta: “Quem estiver sem pecado atire a primeira pedra".
Temeu as autoridade quando lançou os cambistas para fora do átrio do templo, embora fossem licenciados pelos sacerdotes?
Estavam Suas asas aparadas quando gritou bem alto: "Meu reino está acima de vossos reinos terrenos”.
Estava procurando abrigo em palavras quando repediu e tornou a repetir: “Destruí este templo, e eu o reconstruirei em três dias”?
Era um covarde quem sacudiu o punho a face das autoridade e as chamou-lhes “mentirosas, vis, corruptas e degeneradas”?
Um homem bastante ousado para dizer essas coisas aqueles que governavam a Judeia poderia se considerado manso e humilde?
Não. A águia não constrói seu ninho no salgueiro-chorão. E o leão não busca sua caverna entre as samambaias;
Sinto-me mal e minhas entranhas agitam-se e revoltam-se dentro de mim quando ouço os debeis de coração chamarem Jesus humilde e manso, para assim justificarem sua própria debilidades; e quando os calcados aos pés, para seu consolo e conforto, falam de Jesus como de um verme brilhando e seu lado.
Sim meu coração fica doente com tais homens. Pois o que eu prego é o caçador poderoso e o espírito invencível das alturas!"


khalil Gibran 
"Jesus, O Filho do Homem"- Fala de NATANAIEL.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Seresta Sertaneja

Nos raios de luz de um beijo puro
me estremeço e eis-me a navegar
por cerúleas regiões
onde ao avaro e ao impuro não é dado entrar
tresloucado cavaleiro andante
a vasculhar espaços
de extintos céus
num confronto derradeiro
venci prometeu, anjo do mal
o mais cruel
acusador de meus irmãos

nestes mundos dissipados
magas entidades dotam o corpo meu
de poderes encantados
mágicos sentidos
na razão dos céus
pois fundir o espaço e o tempo
vencer as tentações rasteiras
do instinto animal
só é dado a quem vê no amor
o único portal

Através de infindas sendas
vias estelares um cordel de luz
trago atado ao umbigo ainda
pois não transmudei-me ao reino dos cristais
apois Deus acorrentou os sábios
na prisão escura das três dimensões
e escravizados desde então
a serviço dos maus
vivem a mentir
vivem a enganar
a iludir os corações

Visitante das estrelas
hóspede celeste visões ancestrais
me torturam pois ao tê-las
quebra o encanto e torno ao mundo de meus pais

À minha origem planetária
enfrentar a mansão da morte do pranto e da dor
donzela fecha esta janela
e não me tentes mais

Composição Elomar Figueira Mello

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Cântico da Vida

Dois Poemas de J. Krishnamurti


I

Oh! Alegra-te!
Há trovões nas montanhas
E longas sombras matizam a face verde do vale.
As chuvas suscitam brotos verdes
Nos troncos mortos de ontem.
Lá no alto, entre as rochas,
Uma águia está fazendo o ninho.

Todas as coisas são grandes na vida.
Oh! Amigo,
A vida enche o mundo.
Eu e tu estamos em união eterna.

A vida é como as águas
Que nutrem reis e mendigos igualmente.
Vaso de ouro para o rei,
Para o mendigo vaso de barro,
Que se despedaça na fonte;
Cada qual estima igualmente o seu vaso.
Há isolamento,
Pavor na solidão,
Mágoa do morrer do dia,
Tristeza de uma nuvem que passa.

A vida destituída de amor,
Peregrina de casa em casa,
E ninguém há que lhe proclame o encanto.
Como o de um pedaço de rocha granítica
Transformado numa imagem tumular,
Que os homens têm por sagrada,
Mas pisam a rocha no caminho
Que leva ao templo.
Oh! Amigo,
A vida enche o mundo.
Vós e eu estamos em união eterna.

II

Contém a gota de chuva em sua plenitude
A raivosa torrente
Ou as espelhantes águas de um profundo lago de montanha?
Alimenta uma só gota de chuva, em seu isolamento,
A solitária árvore na colina?
Cria a gota de chuva, isolada em sua grande descida,
O som mavioso de muitas águas?
Mata a gota de água, apenas com sua pureza,
A sede agonizante?
Estou cantando o Cântico da Vida.
Neste cântico,
Oh! Amigo,
Não existe nem eu nem tu,
Mas a Vida, que é, de tudo, a Bem Amada.

Só os ignorantes correm atrás da sombra
De si mesmo na Vida.
E a vida escapa-lhes
Porque vagueiam nos caminhos da sujeição
Daí a luta da separatividade numa grande unidade.
Porque na Vida não existe nem eu nem você.



Autor: J. Krishnamurti
A Estrela Ano II No. 5 e 6 Maio e Junho de 1929

terça-feira, 12 de abril de 2011

O rio


O rio e suas ondas são um mesmo fluxo:
qual a diferença entre o rio e suas ondas?

Quando se crispa a onda,
é novamente e ainda água.
Diz-me, senhor, a diferença:
Por ter sido denominada onda,
não mais devemos considerá-la Água?

No Seio do supremo Brahman
os mundos alinham-se como contas:
Contempla esse rosário
com os olhos da sabedoria

Autor: Kabir

domingo, 10 de abril de 2011

Sama

Trevas Luminosas






"Chegar a estas trevas  mais do que luminosas é o que suplicamos
e, pela privação da visão e pelo não-conhecimento,
ver e conhecer Aquele que está acima da contemplação e do conhecimento
precisamente pelo acto de não ver nem conhecer
nisto consiste, de fato, a verdadeira observação e conhecimento"

Pseudo-Dionísio, o Areopagita
Via para Alcançar a Treva -Teologia Mística [1025b]

sábado, 9 de abril de 2011

Deusa Desilusão


Poucos são aqueles que recordam
a necessidade da poda de inverno
Poucos são aqueles que suportam
a paz que vem do inferno

Poucos são aqueles que recordam
o rosto da Dona Ilusão
Poucos são aqueles que suportam
a dor de um perdão

Bendita, Sagrada, Desilusão,
Sem tua mão dura e pesada
Eu nunca teria essa Visão

Do que eu nunca me esqueço
é que o fim não é mais que um recomeço
E a liberdade então
não passa de uma emoção

Agora eu sei, não vou encontrar
a felicidade por ai a passear
Então eu sento pra caminhar
fecho os olhos para acordar

Bendita, Sagrada, Desilusão,
Sem tua faca afiada
Eu nunca abriria meu coração

Sábio é aquele que sabe que não a caminho nem estrada
Sábio é aquele que sabe e fica de boca fechada

Sábio é aquele sabe que não sabe de nada...


Autor: Douglas A. Remonatto