sábado, 9 de abril de 2011

Brasão



Deu-me Deus o seu gládio,
porque eu faça
A sua santa guerra.
sagrou-me seu em honra e em desgraça,
Às horas em que um frio vento passa
Por sobre a fria terra.

Pôs-me as mãos sobre os ombros e doirou-me
A fronte com o olhar;
E esta febre de Além, que me consome,
E este querer grandeza são seu nome
Dentro em mim a vibrar.

E eu vou, e a luz do gládio erguido dá
Em minha face calma.
Cheio de Deus, não temo o que virá,
Pois venha o que vier, nunca será
Maior do que a minha alma.


Autor: Fernando Pessoa
Brasão, Mensagem

Poeta

um mundo,
preâmbulo de diversas épocas
fogo sem rumo
devastando a colheita dos justos...
silêncio,
imenso e desconhecido
silêncio...

Autor: Paulo Ricardo José

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Poética do Eremita


No deserto,
estão secas,
as pedras,
que no mar se molhavam
A semelhança confunde
o eremita
Que solitário demais
passou o tempo
entregando-se à solitária memória

Aqui, a pedra seca
para o eremita,
não perdeu
A qualidade húmida
de poder
ter estado ao pé do mar

Autor: Fiama Hasse Pais Brandão



Ouça na voz de Adriana Calcanhoto:

Declaração de Amor



Minha flor minha flor minha flor...
Minha prímula meu pelargônio meu gladíolo meu botão-de-ouro.
Minha peônia.
Minha cinerária minha calêndula minha boca-de-leão.
Minha gérbera.
Minha clívia.
Meu cimbídio.
Flor flor flor.
Floramarílis. floranêmona.
florazálea. clematite minha.
Catléia delfínio estrelítzia.
Minha hortense-gerânea.
Ah, meu nenúfar. rododendro e crisântemo e junquilho meus.
meu ciclâmen. macieira-minha-do-japão.
Calceolária minha.
Dalia-begônia minha. forsitia-íris tulipa-rosa minhas.
Violeta... amor-mais-que-perfeito.
Minha urze.
Meu cravo-pessoal-de-defunto.
Minha corola sem cor e nome no chão de minha morte.

Autor: Carlos Drummond de Andrade

A vida acontece...


Já é tarde,
O mundo silencia, e a vida acontece...

O alvorecer desperta,
Enquanto todos dormem em mim mesmo, me encontro
na encruzilhada do tempo.
Onde sonhos são flores regadas
Com gotas de amor.
Cálido ardor
Por ser real, sincero, profundo
Talvez seja por isso, que move o mundo

A vida acontece...
Quando a pétala cai
O vento sopra e a noite rega com seu orvalho
a vida que hoje é vida, e amanha se vai.
Pequenos grilos entoam canções, lindas canções
Para multidões, talvez milhões
Quem nem sequer percebem que enquanto dormem...
A vida acontece

Queria ver-te,
E sentir de novo,
Reviver a poesia...
Que dá notas á melodia
Que junta mil pedaços do espelho que reflete a própria grandeza
Do perfume...
Da alma...
Da canção...
Dos sonhos...
Enquanto a vida acontece.

Seria real o sonho de uma realidade sonhada assim?
Criarias tu, teu próprio mar para desfrutar o luar de uma praia sem fim?
Praia dos sonhos, talvez bem real.
Ponto de encontro, lual,
Da triste realidade, real ilusão...
De fatos que não explicam, mas de fato são...
O mistério da vida em vida...
Todos dormem... que pena!
Enquanto a vida acontece...

Lembranças, não mais as encontro
Apenas em lágrima...
E um silêncio que me perturba.
Sob a lápide que cobre a minha própria vida.
Entre o fim e o principio de tudo
A poesia renasce...

E o Amor acontece!


Poema do Escritor - Reges Coty

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Onde procurar Deus?


Onde me procuras?
Estou contigo.
Não nas peregrinações ou nos ídolos,
tampouco na solidão.
Não nos templos ou nas mesquitas,
tampouco na Caaba ou no Kailash.
Estou contigo, ó homem,
estou contigo.
Não nas preces ou na meditação,
tampouco no jejum.
Não nos exercícios iogues ou na renúncia,
tampouco na força vital ou no corpo.
Estou contigo, ó homem,
estou contigo.
Não no espaço etéreo ou no útero da Terra,
tampouco na respiração da respiração.
Procura ardentemente e descobre,
num instante único de busca.

Autor: Kabir

terça-feira, 5 de abril de 2011

Companheiros de Batalha












A Paz e a Guerra
depois de tanto guerrearem
fizeram as pazes

As duas deram-se as mãos
se cumprimentaram
para depois se separarem em meu peito
definitivamente

agora em um eterno companheirismo.


Autor: Douglas A. Remonatto