sábado, 27 de outubro de 2012

O Sono da Consciência



Sonha o sábio com a esplêndida rosa do mágico prado
que entreabre suas folhas deliciosas a Vênus,
luzeiro vespertino do amor.

Sonha o bardo cabeludo com o tímido riacho cantante
que desce pela montanha desfeito em prata,
convertido todo em filigrana que corre e passa.

Sonha a mãe desventurada com o filho que perdeu na guerra e não concebe sorte mais dura;
chora ao pé de seu retrato o destino triste;
o raiojoga com a tortura e até acende um íris em cada gota.

Sonha Fausto com sua Margarida de branca face tranquila,
sob o dossel primoroso de sua ruiva cabeleira,
que, como cascata de ouro,
cai sobre seus ombros alabastrinos.
Que abismo tão profundo
em sua pupila pérfida e azulada como a onda!

Nas garras espantosas da dor,
o pobre “animal intelectual” sonha que é Brutos
partindo em mil pedaços o coração de César;
Espartaco, o temível,
assolando o campo de batalha;
Ulisses em seu palácio de Ítaca
matando furioso os pretendentes de sua esposa;
Tell rechaçando com o pé o esquife;
Cleópatra seduzindo Marco Antônio;
Cromwell ante o suplício de um monarca;
Mirabeau no Tabor das nações;
Bolívar com cinco povos libertados;
Morelos nos campos de batalha.

Sonha o enamorado na estrela que pelo Oriente sobe resplandecente,
com o tão esperado encontro,
com o livro que ela tem entre suas mãos,
com sua romântica janela.

Sonha o marido ofendido
em obscura contenda e bronca rebeldia;
sofre o indizível
e até morre no pesadelo.

Sonha o luxurioso com a nudez impúdica
da diaba que se contorce
como o porco no lodo da imundície.

Sonha o bêbado que é rico,
jovem, esforçado cavalheiro de grande renome,
valente na batalha.

Sonha Amado Nervo com a amada imóvel
e Víctor Hugo com os Miseráveis.

Esta vida de tipo lunar
é só um tecido de sonhos.

Não se equivocaram os velhos sábios
da terra sagrada dos Vedas
quando disseram que este mundo é MAYA (ilusão).

Ah!
se essas pobres pessoas
deixassem de sonhar…

Quão diferente seria a vida!


Samael Aun Weor

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